Rádio por assinatura vira mania nos EUA

Com transmissões por satélite e uma programação forte, a XM conquistou 30 mil clientes e se tornou "produto do ano" da revista Fortune

Nova York - Quando os comerciais estrelados por David Bowie, Beck e George Clinton, entre muitas outras celebridades, começaram a aparecer nos cinemas americanos, já era possível perceber que se tratava de um grande lançamento. Em menos de dois meses de funcionamento, o sistema de canais de rádio por assinatura batizado de XM conquistou mais de 30 mil assinantes no país e se transformou no lançamento de áudio que cresceu mais rápido nos últimos 20 anos. A dúvida sobre a disposição do público em pagar para ouvir rádio parece ter desaparecido quando a empresa recebeu, há poucos dias, um investimento extra de US$ 164 milhões, elevando o valor do projeto para US$ 1,6 bilhão.


Desde novembro a XM Satellite Radio disponibilizou para toda a área continental dos Estados Unidos um pacote com cem canais de áudio, que podem ser ouvidos em casa ou no carro por uma taxa de US$ 9,99 por mês. Aparelhos de rádio normais podem ser convertidos e os novos, fabricados pela Sony e pela Pioneer, custam em média US$ 300. Os canais incluem programação com poucos anúncios, de estilos específicos, ou com o aval de marcas conhecidas, como os de música MTV, VH-1 e BET e os de notícias CNN e Bloomberg. Há ainda opções de comédia, talk-shows e esportes.


Graças a dois satélites próprios, o serviço promete a mais clara transmissão do país. Com uma rede de 82 estúdios situados em Washington, D.C., e filiais em Nova York, Nashville (Tennessee) e Boca Raton (Flórida), o XM também vai incluir a transmissão de programas especiais e shows exclusivos. "Em 12 meses, o sistema evoluiu de uma apresentação de PowerPoint a produto do ano da revista Fortune", disse o presidente da empresa, Hugh Panero, em uma entrevista coletiva há poucos dias.


O XM, no entanto, começou a ser idealizado há quase dez anos, quando o governo americano autorizou a inclusão de um terceiro sistema de transmissão de rádio, via satélite, ao lado do AM e FM. Em 1999, a empresa já estava vendendo ações da Nasdaq. Uma associação entre a General Motors, a Directv e o Clear Channel (a maior operadora de emissoras de rádio do país) garantiram o sucesso inicial do projeto. A marca de carros vai passar a incluir as unidades de XM em 24 de seus modelos 2003, enquanto parcerias com outras empresas automobilísticas devem garantir o espaço no mercado. Há ainda o suporte de grandes redes de eletrodomésticos, como Radio Shack, Circuit City e Sears, e dos fabricantes de eletrônicos Sony, Pioneer e Alpine.


O sucesso do rádio por satélite é baseado na relação dos americanos com o carro. O tempo médio em que os chamados comuters (que moram em cidades diferentes das que trabalham) passam na estrada é de quatro horas diárias. Como as emissoras de FM têm, em média, 26 minutos de comerciais a cada hora, o nível de insatisfação vem crescendo a cada ano.


Apesar de ter roubado os melhores programadores de rádio do país, a XM garante que não está tentando concorrer com as emissoras de FM, já que não vai oferecer programação local. "Os ouvintes devem continuar buscando notícias sobre esportes, clima e tráfego em suas emissoras preferidas", disse um dos executivos da empresa, Chance Patterson, em uma entrevista à MTV americana.

Até agosto, a XM não tem concorrência no mercado. Mas a única outra empresa que conseguiu autorização para operar as ondas de rádio por satélite, a Sirius Radio, deve chegar com força. Serão três satélites e uma promessa de não transmitir nenhum anúncio. Com um investimento de US$ 1,8 bilhão, a empresa também está contando com nomes conhecidos da música para dar aval a sua programação.

O Estado de S. Paulo - 07 de fevereiro de 2002
Por: Guto Barra

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