EM SINTONIA COM OS ANUNCIANTES

Segmento de rádio investe na profissionalização do setor em busca de uma maior participação no mercado publicitário.

Presente na vida dos brasileiros desde 1922, quando aconteceu a primeira transmissão oficial de radiodifusão, durante as comemorações do centenário da Independência do Brasil, o rádio chega às vésperas do século 21 em sintonia com os anunciantes.
Desprezado dos planos de mídia das agências por muito tempo, este que é um dos mais importantes veículos de comunicação do País recebe agora uma série de incentivos e projetos para melhorar sua imagem junto ao mercado publicitário.
Entre os movimentos em prol do rádio destaca-se o Grupo dos Profissionais de Rádio (GPR), uma associação criada há 18 meses que tem por objetivo promover o profissionalismo e a evolução técnica do meio.
Desde sua criação, o grupo presidido por Antonio Rosa Neto já recebeu investimentos de R$ 1 milhão para o desenvolvimento de ações de marketing voltadas para a divulgação do rádio. "Nosso trabalho é mostrar que esse veículo é uma mídia eficiente e segura", afirma Rosa Neto, ressaltando o problema de marketing do rádio: "Mesmo com penetração equivalente à da TV, o rádio não estava conseguindo demonstrar seus valores para o mercado"- segundo um estudo feito pela Marplan, o Produto rádio é consumido por mais de 90% da população.
Focando suas ações nos benefícios oferecidos pelo rádio, o GPR já realizou uma série de shows, cursos, palestras e seminários, além de estabelecer uma parceria com o Ibope para a apresentação de novas ferramentas de pesquisa. "Estamos atuando como um canal de discussão do meio, gerando novos estudos e aprimorando os já existentes", observa o presidente.
Um dos frutos desse investimento foi a divulgação de uma pesquisa feita pelo Ibope Monitor sobre os investimentos publicitários no meio rádio em São Paulo. O estudo aponta que entre julho de 99 e março deste ano a mídia recebeu cerca de R$ 220 milhões, o que representa 5% do bolo publicitário, ficando com a terceira maior parte dos investimentos, atrás do jornal e da TV.
Uma outra pesquisa divulgada pelo GPR indica que nos quatro primeiros meses deste ano o rádio obteve um crescimento de 53% de participação no mercado publicitário sobre a mesma base de 99. "em 98, a fatia do meio foi de 3,7%, número que subiu para 4,7% no passado e que até abril deste ano girava em torno de 5,5%,", explica Rosa Neto, dizendo que isso representou um aumento de 26% no faturamento dessa mídia no ano passado em relação a 98, quando o setor faturou cerca de R$ 650 milhões.
Um dos fatores que vieram contribuir ainda mais para esse aumento de participação do meio é o surgimento do RadioControl, um novo sistema que permite o controle dos anúncios veiculados nas rádios por meio de relatórios distribuídos via internet a agências de publicidade, anunciantes e emissoras afiliadas.
Trazido para o Brasil no ano passado pela Rádio2 Comunicações, em parceria com a empresa americana WebChoice e a dinamarquesa Interactive Television Entertainment (ITE), o projeto está sendo aprimorado pelo GPR a fim de se tornar um sistema unificado de fiscalização do meio.

Cada vez mais popular

Contrariando previsões, o rádio acabou ganhando mercado com a evolução tecnológica - que barateou e diminuiu o tamanho dos receptores - e os contratempos da vida moderna. Hoje, mesmo com as pessoas passando a maior parte do dia fora de suas casas, multiplicaram-se as oportunidades para se ouvir rádio.
Menor e mais barato, o veículo passou a ser ouvido a qualquer hora e em todo lugar, estando presente em shoppings, lojas, elevadores, restaurantes, salas de espera, ônibus, carro e, agora, até na internet. "Nos últimos cinco anos, a audiência do rádio cresceu 35%", informa Rosa Neto.
De acordo com ele, todas as ações desenvolvidas pelo GPR visam ocasionar um aumento do benchmark no meio rádio, além de incentivar o processo de renovação da linguagem utilizada.
Para isso, a associação está investindo R$ 100 mil na realização da Segunda edição do Prêmio de Criatividade em Rádio, que visa estimular as agências de publicidade a utilizarem o meio com criatividade e adequação.

GPR Brasil

Rosa Neto afirma que nos Estados Unidos o rádio também já foi considerado o "patinho feio das mídias", mas hoje conseguiu superar o complexo de inferioridade, transformando-se na vedete do mercado publicitário. Segundo o Rádio Advertising Bureau ( RAB/EUA ), atualmente o rádio é a mídia mais consumida nos Estados Unidos. "Queremos ser para os Estados Unidos, uma entidade que orienta e promove o meio rádio em todo o País", compara o presidente, lembrando que hoje o GPR está presente nos estados de São Paulo e Rio de Janeiro, mas até em Minas Gerais, Paraná e Goiás.

Ana Gabriela Araújo - Revista Marketing, Agosto de 2000


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