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CRIAÇÃO
NA ONDA DO RÁDIO
Prêmio exclusivo e adoção de casting
contribuem para a melhor qualidade dos spots
O avanço da participação do meio rádio na bolo publicitário vem acompanhado
de um incremento na produção de spots. Exemplos desse novo cenário são
a adoção de casting para a gravação de comerciais e também a criação de
um prêmio exclusivo para as campanhas veiculadas na mídia.
Freqüentemente apontado como "primo-pobre" da publicidade, o rádio sofre
com a falta de verbas e com a carência de boas peças. Ainda assim, nos
primeiros quatro meses deste ano, o rádio abocanhou 5,5% dos investimentos
em publicidade, contra os 4,7% do ano passado, de acordo com o último
projeto Inter-Meios, de M&M. Os números são mais animadores quando se
leva em conta que os valores de 1999 significaram um crescimento de 26%
em relação ao ano anterior.
"Esses dados mostram que o rádio não só reverteu a tendência de queda,
como também despontou para um crescimento", observava Antonio Rosa Neto,
presidente do Grupo Profissionais de Rádio (GPR). Essa afirmação é reforçada
por números do Ibope, que revelam um crescimento de 33% na audiência do
rádio nos últimos cinco anos.
"Isso acontece porque as pessoas passam cada vez mais tempo na rua. Os
brasileiros que organizam sua rotina fora do lar estão na origem da liderança
da audiência do rádio sobre a TV em 16 das 24 horas do dia, "analisa o
presidente do GPR. Com o avanço da Internet, o cenário deve tornar-se
ainda mais favorável para o meio, uma vez que é possível ouvir rádio,
via computador, ao mesmo tempo em que se trabalha, por exemplo.
Casting de Vozes
Esse
quadro acaba tendo conseqüências imediatas sobre a publicidade no meio
rádio. Na produtora A Voz do Brasil, a demanda por spots cresceu 50% no
primeiro semestre deste ano, segundo Rosana Caruso, coordenadora e produtora
da empresa. "motivados por esse aumento da demanda, resolvemos começar
a trabalhar com casting para rádio, algo que contribui muito para a melhoria
dos spots", conta Rosana.
A coordenadora de A Voz do Brasil anuncia o fim da época em que, ao ouvir
spots, tínhamos a sensação de que todos eram gravados pela mesma pessoa.
"Isso acontecia porque os locutores, muitas vezes, não tinham talento
interpretativo e careciam de naturalidade na voz. À medida em que passamos
a chamar atores para fazer testes, a exemplo do procedimento adotado na
televisão, houve um grande salto qualitativo", ressalta Rosana.
"Hoje, estamos melhor preparados para dar vida ao texto dos redatores.
Desde que criamos o casting, no começo do ano, temos percebido que há
uma série de pessoas super talentosas que não são usadas por puro desconhecimento
do mercado", completa Rosana. Ela observa, contudo, que para que isso
aconteça há necessidade de uma verba elástica e de um prazo razoável para
a produção.
Imaginação
em Ação
Sem a contratação de atores qualificados é impossível produzir peças como
a do cafezinho da Volkswagen, feita pela AlmapBBDO, ou como o da Intelig,
da Talent. A Graça desses trabalhos, que partem uma boa idéia e de um
bom texto, é materializada por meio de uma interpretação cuidadosa.
"O rádio é a melhor mídia para quem gosta de escrever porque proporciona
um delicioso exercício da criatividade. O fato de ter o som como único
recurso faz com que o rádio leve as pessoas a imaginar determinada situação.
Para que isso ganhe forma, não podemos abrir mãos dos bons atores", destaca
Alexandre Peralta, redator da AlmapBBDO, criador, dentre outros, do spots
do cafezinho da Volks.
O publicitário destaca a repercussão imediata como uma das grandes vantagens
do rádio. "O recall do rádio só perde para o da TV. Ainda assim, a criação
costuma dar menos atenção do que deveria a essa mídia. Acredito, contudo,
que a situação esteja mudando", avalia Peralta.
Mauro Peres, diretor de criação da Talent, também acha que as peças de
rádio têm passado por uma evolução criativa nos últimos dois anos. No
entanto, ele faz ponderações importantes. "Apesar do avanço a que assistimos,
não podemos negar que o rádio ainda é um veículo pouco privilegiado e
que recebe menos atenção do que deveria. Falta a percepção, por parte
do mercado, de que o rádio viabiliza ótimas idéias a um baixo custo",
analisa Peres.
Humor
e tecnologia
Na
tentativa de oferecer estímulo aos profissionais e de estipular um parâmetro,
o GPR criou, no ano passado, o prêmio de Criatividade em Rádio. Neste
ano, em sua segunda edição, o prêmio recebeu cerca de 250 inscrições.
O resultado será divulgado na dia 27 de outubro, no MaxiMídia. "Os profissionais
tinham perdido a referência do que é criatividade em rádio. Ao produzir
um comercial para a televisão, os publicitários costumam buscar inspiração
na própria TV ou mesmo no cinema. No rádio, os profissionais ficavam meio
perdidos. Com o prêmio, começamos a criar essa referência", define Antonio
Rosa Neto.
Ao acompanhar os trabalhos premiados no ano passado, fica evidente que
o caminho do humor tem dado o tom à maioria das campanhas. "O segredo
é relatar situações nas quais as pessoas podem se enxergar. Com uma boa
idéia, trabalhamos o som e a ambientação de modo a criar um clima favorável
à transmissão da idéia. Hoje, temos todas as plataformas tecnológicas
que possibilitam uma boa produção", diz Vicente de Paula Salvia, o maestro
Viché, da Sam Studio.
Ana
Paula Sousa - Meio & Mensagem, 11/09/2000
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