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Na sintonia do sucesso Com letras de fácil memorização, jingles fazem parte do cotidiano do consumidor de várias gerações. Dizem que o povo brasileiro tem memória curta. Exemplo corriqueiro para comprovar essa afirmação é o resultado de pesquisas que apontam a não lembrança, por parte da maioria dos eleitores, dos candidatos em que teriam votado nas últimas eleições. Os publicitários se esforçam para combater essa eventual falha, criando campanhas originais, às vezes, de forte apelo emocional. Uma das armas disponíveis, que nos últimos anos tem sido pouco empregada, são os jingles. "O mercado exige das agências rapidez no desenvolvimento da campanha, além de querer baixos custos. Por causa disso, existe uma tendência de se optar pelos spots curtos em vez dos jingles tradicionais, que demandam mais tempo de preparação, com a contratação de músicos", afirma o presidente do Grupo de Profissionais do Rádio (GPR) Antonio Rosa Neto. "Talvez seja por isso que a maior parte dos jingles recordados atualmente são produções das décadas de 60 e 70, quando era possível contar com um prazo maior para a elaboração das campanhas". Trilhando pelo caminho da massificação sonora e com disposição para fazer a marca Brahma se distanciar da inconveniente presença da concorrente Nova Schin na disputa pelo segundo lugar em vendas de cerveja, a AmBev iniciou a veiculação de campanha publicitária no fim do mês passado. O uso prioritário de jingle de fácil memorização é o que mais chama atenção na recente criação da agência África, contando com filmes para TV, anúncios em rádio, jornal e revista, além de peças para mídia exterior e alternativas, como torpedos em celulares e buzinas de caminhão que tocam o tema principal da campanha "Nãnã Nana". A expressão foi resgatada de produção da F/Nazca S&S para a mesma Brahma em 2001, na qual um siri assumiu a condição de garoto-propaganda da marca. "O jingle, cuja letra foi criada por Nizan Guanaes (presidente da África) e Paulo César Reis, o PC, da Friends (produtora de trilhas e jingles), tem condições para ser bem assimilado pela população e se manter atual no futuro", projeta o diretor de atendimento da conta da Brahma na África, Oscar Ferreira. "Essa é uma campanha que permeia o dia-a-dia das pessoas. Os primeiros resultados de receptividade da 'Nãnã Nana" a empresa já percebeu junto à equipe de venda". No primeiro
trabalho da agência para a marca, realizado no começo deste
ano, com a polêmica gerada pela utilização do cantor
Zeca Pagodinho nos comerciais, que tinha contrato com a Nova Schin, outro
jingle desenvolvido pela dupla foi aplicado: "Amor de Verão".
Apesar da sensação momentânea, não houve tempo
de maturação para que a peça virasse "chiclete
de ouvido", consolidando-se na mente dos brasileiros por causa da
suspensão da campanha pelo Conselho Nacional de Auto-regulamentação
Publicitária (Conar) nos veículos de comunicação. Como forma
de resgatar algumas peças do saudosismo e que pertencem à
história fonográfica da publicidade brasileira, a Le Pera
preparou para o GPR uma série de sete spots para rádio com
jingles cantados por duplas de conceituados publicitários. Vieira apresenta
na rede CBN de rádio o programa "Jingles inesquecíveis",
em duas edições diárias, de segunda a sexta. (Wanderson
Flávio Cunha - Revista Marketing Jul/2004) |