TIRO
AO ALVO
Por
meio do GPR, 11 rádios adotam pesquisa da Ipsos-Marplan que
possibilita melhor precisão no conhecimento de seus ouvintes
Já
é folclore do mercado brasileiro de comunicação
o veículo rádio ser o meio que mais sofre com os cortes
de verba publicitária. Se o mídia necessita enxugar
custos, pensa logo nas verbas destinadas ao rádio. Isso acontece
porque, segundo as próprias emissoras, as pesquisas de audiência
do meio são imprecisas e geram pouca confiança para
as agências. Mas ao que tudo indica essa situação
deve mudar. E em breve. O Grupo dos Profissionais do Rádio
(GPR), a fim de melhorar as relações de mercado e otimizar
o share do meio, negociou a assinatura de 11 emissoras com a empresa
de pesquisa Ipsos-Marplan. O principal atributo do contrato é
a possibilidade de cruzar dados de consumo dos ouvintes, seja de mídia
ou de produtos. "A pesquisa Marplan é uma excelente ferramenta
de vendas", defende o diretor de pesquisas do GPR, Gilberto Gonçalves
de Souza, que comandou a negociação.
Além do método - intitulado Sisem Consumer - desvendar
hábitos de consumo de mídia e de produtos, seu valor
de contrato facilitou a adesão das rádios. "A pesquisa
pode mostrar os ouvintes da Brasil 2000 que bebem cerveja e vão
ao cinema, por exemplo", completa Souza. O pool de emissoras
formado pelo GPR é composto pelas rádios 89FM, Nativa,
Sucesso, Brasil 2000, Eldorado AM/FM, Bandeirantes e Band FM, Sistema
Globo de Rádio, Rádio Capital e CBN.
Das rádios que aderiram, a Brasil 2000 destaca o lado financeiro
do negócio. "Embora seja necessário obter pesquisas,
não dá para gastar rios de dinheiro. O GPR viabilizou
um bom negócio", afirma a diretora comercial, Cristina
De Bonis. A emissora também conta com os serviços do
Ibope para pesquisas de audiência. "Quanto mais e melhor
informação, mais anunciantes. E o ano passado foi muito
ruim. Posso garantir que muitos dos negócios se concretizaram
graças ao apoio técnico das pesquisas", complementa
Cristina. Em 2001, a emissora ficou 13% abaixo do faturamento de 2000.
O Sistema Globo de Rádio utiliza informalmente o Sisem Consumer
desde 1998. Com a criação do pool das emissoras pelo
GPR, a empresa aderiu definitivamente ao Marplan.
"As pesquisas do Marplan sempre foram um instrumento de uso das
nossas rádios. É um excelente produto para defender
um projeto quando vamos em agências e clientes", afirma
o diretor regional do Sistema Globo de Rádio de São
Paulo, Antonio Carlos Guerino. A emissora também utiliza pesquisas
do Ibope, além de trabalhos próprios. "O que há
no mercado compramos, como pesquisa de audiência em automóveis.
Mas o Sisem Consumer está nos possibilitando falar com o mídia
de igual para igual", complementa Guerino.
Num mundo de concorrência implacável, a Rádio
Capital resolveu aderir ao pool antes que perdesse o trem da história.
"O GPR propôs o negócio e vimos que era nossa chance
de complementar com mais informação os nossos argumentos
com os clientes. Nesse meio, a concorrência é brutal
e infelizmente o rádio é o primeiro a ser contado do
budget dos anunciantes", diz o diretor geral, Néder Adib.
IBOPE X MARPLAN
É comum no meio rádio a utilização de
pesquisas de vários institutos ao mesmo tempo. O que está
garantindo o sucesso das pesquisas da Ipsos-Marplan não é
a medição de audiência, mas sim a possibilidade
de potencializar o consumo dos ouvintes. A empresa oferece duas pesquisas
para o mercado: o Sisem Mídia e o Sisem Consumer. O primeiro
é um visualizador de mídia. "É uma pesquisa
que pouco acrescenta ao meio, uma vez que o EasyMedia do Ibope mostra-se
bastante eficaz na medição dos índices de audiências
e suas variáveis: tempo médio e cobertura", afirma
a diretora comercial da 89FM, Maria Cristina da Hora. O segundo se
constitiuiu no grande trunfo do Marplan. "Se bem explorado, pode
se constituir na mais completa ferramenta de pesquisa já criada
para os veículos de comunicação, em especial
para o rádio", completa Maria Cristina. O Sisem Consumer
é um sistema de tabulação em que veículos,
agências e anunciantes podem acessar imediatamente mais de 900
informações do banco de dados Marplan, relativas a nove
mercados do País. O sistema permite analisar hábitos
de mídia do target juntamente com hábitos de consumo
de produtos, serviços, lazer e itens de posse, traçando
assim um perfil muito mais detalhado dos ouvintes e de seus potenciais.
As pesquisas de audiência utilizadas pelas rádios são
mais centradas nos produtos do Ibope. O EaseMedia é uma pesquisa
mensal, mas sua amostra se completa a cada três meses. "A
zona norte de São Paulo, por exemplo, é subdividida
em três regiões. A cada mês é apresentada
a amostra da pesquisa e somada com as dos meses anteriores. Na Grande
São Paulo são realizadas 200 entrevistas diárias,
o que resulta numa mostra trimestral variável, de 18,2 mil",
afirma Maria Cristina.
Nem todos concordam com a visão da 89 FM quanto às pesquisas
do Ibope. "Ele nasceu para medir televisão, o que faz
muito bem com o People Meter, mas sua pesquisa com o rádio
não é tão confiável. As emissoras começaram
a parceber que o Ibope não refletia a audiência e que
o Marplan chegava ao mais ideal", afirma a diretora de marketing
da Rádio Eldorado, Paula Canoletti, embora admita que a tendência
é a utilização de ambas para ver a diferença.
A Transamérica, que não utiliza pesquisas do Ibope desde
janeiro de 2000, também não concorda com os métodos
empregados pelo Instituto. "Descobrimos uma margem de erro de
0,8 nas pesquisas de audiência para rádio do Ibope. Eles
também alegam que fazem pesquisas com as classes A e B por
telefone, o que considero inviável", afirma o diretor-superintendente,
Luiz Guilherme Albuquerque.
A Transamérica não integra o pool formado pelo GPR,
mas também aderiu às pesquisas do Marplan. "Achei
muito mais consistente o estudo por causa do cruzamento consumo de
mídia e de produtos. A empresa ainda apresenta um relatório
a cada três meses, o que dá mais tempo para elaborar
as pesquisas", completa Albuquerque.