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RÁDIO
- EM BUSCA DO PRESTÍGIO PERDIDO
Mudanças
de programação, avanços nas pesquisas e na segmentação do público, gerência
mais profissional e criação de associações de emissoras são algumas das
armas reunidas pelas rádios para recuperar o terreno perdido para outras
mídias nos últimos anos. Os resultados já começam a aparecer - e podem
atrair os anunciantes.
O
Rádio continua sendo um dos meios de comunicação mais econômicos. Dentre
todos os tipos de mídia, é o que apresenta o mais baixo custo por mil.
A expansão desse meio, que já foi o grande esteio de uma afinidade de
anunciantes, se evidencia quando verificamos sua pertinência com as assim
chamadas mídias alternativas, extensivas ou out of home. O rádio continua
sendo o único meio que pode acompanhar o consumidor durante todo o dia,
seguindo sua movimentação pelas cidades, cuja dinâmica ocupacional, especialmente
nos grandes centros, reforça ainda mais o poderio da mídia que pode estar
em todo lugar. Segundo levantamentos realizados recentemente, a audiência
do rádio como um todo hoje em dia já se coloca em posição de liderança
em média por dezesseis horas diárias. Some-se a esses fatores uma série
de importantes mudanças - como avanços nas pesquisas e na segmentação
do público, gerência mais profissional e associação de emissoras para
formação e aperfeiçoamento de profissionais -, e pode estar a caminho
uma nova era para o meio. A promessa, que tem grande chance de se cumprir,
é agregar prestígio aos anunciantes. Como nos velhos tempos.
Imagem Unificada
Uma velha pergunta sempre incomoda quem está envolvido em planejamento
de mídia: por que o meio rádio não passa uma imagem unificada de sua importância,
agregando prestígio para o anunciante ?
Com a palavra os representantes de emissoras de diferentes regiões do
país: "Primeiro porque o meio é altamente desunido, pouco profissional.
Depois pelo tamanho do país e pela alta proliferação de rádios a partir
da década de 80 - com outorgas indiscriminadas e mais da metade operada
por políticos e igrejas", dispara sem meias palavras Antonio Donádio,
gerente executivo de comercialização e marketing da RBS, que opera a Rádio
Gaúcha Sat, de Porto Alegre. Ele aponta outros problemas: credibilidade
na efetiva exibição da programação, dificuldade que o anunciante encontra
para fiscalizar suas programações, e pesquisas de audiência que não retratam
a real penetração e o consumo do meio.
Linda Tavares, gerente comercial da Rádio Verdes Mares AM de Fortaleza,
também não contemporiza: "Acredito que o grande número de emissoras sem
nenhum visão empresarial e sem objetivo específico de gerar lucro acabou
fazendo o meio rádio ter uma programação sem qualidade. Existe também
acomodação dos próprios veículos, pois os caso de premiação para comerciais
no rádio são ações isoladas, diferentes do glamour dos prêmios para a
TV". Linda observa, contudo, que tudo é uma questão de realizar um trabalho
sério, sem interesses políticos, para que a programação de propaganda
no rádio confira prestígio ao anunciante: "Sabemos o quanto é valiosa
a criatividade num comercial de rádio e o quanto se mexe com a imaginação
das pessoas. É pura magia".
Em Salvador, Jô Rigaud, gerente comercial da Rádio Sociedade da Bahia,
lembra que antes da década de 1960 o rádio era o principal meio de informação
e entretenimento do país, mas tudo mudou com a expansão da TV. "As emissoras
que enfrentavam problemas financeiros começaram a ser vendidas para grupos
religiosos e as novas concessões foram dadas por motivos políticos, de
acordo com os interesses da ditadura militar. Além disso, era difícil
aferir a audiência, cobertura e perfil de publico, o que até hoje continua
acontecendo em alguns estados que não tem pesquisa. Isso tudo além dos
problemas com contratos de veiculação em algumas emissoras", diz Jô. Mas
ele acha que nesta década algumas rádios estão mudando esse quadro "com
avanços nas pesquisas, na segmentação do publico, numa visão cada vez
mais profissional e na credibilidade que vem sendo resgatada por meio
de associações de emissoras, como por exemplo, o Clube do Rádio, na Bahia".
Néder Adib, diretor da Rádio Capital AM, de São Paulo, diz que, a rigor,
"a proliferação do rádio e a brutal concorrência comprometem realmente
a performance do meio". Ele acha, contudo, que alguns anunciantes são
tradicionalmente ligados ao rádio, por obterem bons resultados, e que
algumas emissoras têm uma idéia satisfatória de sua cobertura geográfica:
"Aqui em São Paulo, por exemplo, as rádios Capital, Globo e Record são
consideradas nacionais. Outras como Bandeirantes, Jovem Pan, Atual, CBN
e Tupi, dependendo do horário cobrem boa parte do país. Estamos trabalhando
para resgatar parte do prestígio que já tivemos em outras épocas", acrescenta
Néder.
Também em São Paulo, Luiz Guilherme Albuquerque, superintendente da Rede
Transamérica, acha que esse é um problema crônico, mas com possibilidade
de cura: "Para isso criamos o Grupo de Profissionais do Rádio, O GPR,
composto pelas principais emissoras de todo país e concebido com o objetivo
de fortalecer o meio com campanhas institucionais. Além disso, o GPR está
promovendo cursos, seminários e palestras para a formação e aperfeiçoamento
dos profissionais do meio".
Há quem considere que o problema não tem essa dimensão. Mariângela Ribeiro,
gerente de marketing da Rádio Cidade FM, de São Paulo, acha que essa não
é mais a realidade do meio: "Emissoras de vários estados estão se organizando
em associações e promovendo ações conjuntas e metas em comum.
Em São Paulo, a Rádio Cidade participa ativamente do Grupo de Profissionais
do Rádio, que já desenvolveu diversos tipos de ações e tem metas claras
a serem cumpridas".
Mário Baccei, diretor comercial da Rádio Bandeirantes, diz que num universo
de mais de 3500 rádios espalhadas pelo país "existe um grupo de rádios
verdadeiramente profissional e que faz um trabalho excelente". Por tudo
isso, segundo ele, essas rádios gozam de respeito e prestígio no mercado.
"Insistir na falta de união é insistir num discurso pronto, sem substância,
que carece de tradução. Afinal, em que meio encontramos essa 'unidade'
? As TVs, jornais, revistas, como estão ? Por que somente sobre o meio
rádio recai esse tipo de cobrança ?, contesta Baccei, que acredita firmemente
que o rádio agrega, sim, prestígio para os anunciantes.
A melhor oportunidade
Em relação aos demais meios, o Comitê de Mídia da ABA quis saber qual
é a melhor oportunidade de eficácia que o rádio apresenta a seus anunciantes.
Mariângela, da Rádio Cidade, responde: "Repetindo um pensamento do publicitário
Pyr Marcondes, o rádio já era interativo antes de essa palavra ser tão
difundida. Ou melhor, a interatividade que o ouvinte mantém com o meio
representa altos índices de cobertura e enorme credibilidade, além de
qualidade e imediatismo. O rádio enfrentava um problema até há pouco tempo:
falta de criação de peças específicas e adequadas ao meio. Mas também
isso vem sendo superado. A prova foi as campanhas vitoriosas nas premiações
deste ano".
Linda Tavares, da Verdes Mares, aponta quatro fatores: "O comunicador
do rádio, principalmente na AM, tem uma ligação muito próxima com o ouvinte;
a flexibilidade de mudar material e redirecionar a mídia; o custo-benefício
é o mais barato e o melhor, e alguns anunciantes estão descobrindo isso;
a presença marcante nos momentos de decisão de compra e em todos os locais".
Mario Baccei diz que uma boa emissora oferece mais talento e criatividade
do que a maioria dos veículos de outros meios: "Por sua grande fragmentação
e segmentação, o rádio é o meio que mais reflete a diversidade cultural
brasileira, permitindo que cada ouvinte encontre sua emissora. Desse mix
pessoal temos no rádio o meio com mais fidelidade, dando oportunidades
únicas para se obter freqüência com custos muito baixos". Baccei diz ainda
que a própria dinâmica ocupacional das cidades obriga as pessoas a se
locomover mais e parar no trânsito, o que agrega oportunidades crescentes
ao rádio.
Freqüência, segmentação, agilidade, interatividade e o mais baixo CPM:
essa foi a resposta sintética de Antonio Donádio, da RBS.
Néder Adib, da Capital, diz que infelizmente, como resultado de uma "concorrência
prostituída", são poucas as emissoras que oferecem boa adequação, preço
adequado e cobertura satisfatória. "Talvez logo no início do próximo milênio
haja necessidade de uma revisão de todo processo publicitário, principalmente
no tocante à distribuição das verbas".
Jô Rigaud, da Sociedade da Bahia, diz que de todos os meios o rádio é
o que está mais presente na vida das pessoas e, igualmente, é o mais democrático.
Lembra também que as pessoas passam mais tempo fora de casa e que o rádio
é o meio que se adapta melhor a essa tendência. "Além disso, permite novos
formatos de veiculação e utilização de artifícios sonoros que aumentam
bastante a visibilidade e o recall dos comercias. Trata-se de uma mídia
forte em todos os segmentos, prestando serviços de utilidade pública,
lazer e entretenimento", completa.
Luiz Guilherme Albuquerque, da Transamérica, diz que experiências já comprovam
a eficiência do rádio, desde que os ingredientes sejam bem elaborados,
como adequação do produto ao perfil da audiência, texto comercial criativo
e boa freqüência de inserções em faixas horárias adequadas. "Além de sua
ampla cobertura, a grande vantagem do rádio é que o anúncio atinge o consumidor
onde ele estiver."
Planos e novidades para o ano 2000
"Temos muitas novidades, parte de um contínuo processo de busca de uma
rádio sempre melhor", afirma Baccei, da Bandeirantes. "Internamente estamos
consolidando uma série de mudanças físicas com o objetivo de integrar
o dia-a-dia das áreas comercial, técnica, jornalística e artística, com
muitos investimentos em equipamentos de última geração. Iremos reforçar
nossa marca em AM e em FM, e essa mesma linha estamos prevendo um incremento
nos investimentos para expansão da rede", acrescenta.
Linda Tavares diz que a Verde Mares de Fortaleza espera interagir ainda
mais com seus ouvintes: "Para isso, todos os programas serão redefinidos.
Haverá programas novos, mudanças nos horários, promoções e eventos adequados
ao novo contexto do milênio."
A Rádio Cidade, que completa vinte anos em janeiro, pretende comemorar
com novidades em todos os setores, segundo Mariângela Ribeiro. "A primeira
é uma home page na Internet, www.cidadeonline.com.br/publicidade, com
os projetos especiais da emissora, planos de patrocínio, calendário promocional,
dados de pesquisa e espaço para pedidos de realização de planos de criação.
Também o call center da emissora está sendo reformulado, para que consiga
fornecer cadastro dos ouvintes, inscrições em promoções e participação
em pesquisas." Mariângela lembra ainda que a rádio acabou de contratar
a J.Walther Thompson para cuidar de sua conta. "Para completar, na área
técnica estamos inaugurando um estúdio totalmente digital e desenvolvendo
outros projetos", adianta.
Luiz Albuquerque, da Transamérica, esclarece que, além da consolidação
dos projetos iniciados em 1999, a emissora pretende ampliar seu alcance
e oferecer ao mercado uma nova opção de rede, com novo formato de programação,
"por enquanto secreto". Diz ainda que na Transamérica Pop haverá shows
"de grande expressão, com artistas nacionais e internacionais e promoções
de vulto, com efetiva participação dos ouvintes". Segundo Albuquerque,
este ano foi decisivo para a emissora "Ampliamos significativamente nosso
universo de produtos, oferecendo ao mercado a Transamérica Ligth, uma
segunda opção em rede de rádio com formato de programação dirigido ao
segmento adulto qualificado. Reformulamos totalmente a Revista Transamérica,
que passou a ser própria, por meio da Editora Transamérica. Lançamos o
Transanet, e com isso somos a primeira emissora de rádio a se tornar provedora
da Internet. E colocamos em ação o sistema Directmídia, a mais avançada
alternativa de mídia direta, desenvolvida para som ambiente de estabelecimentos
comerciais, com breaks exclusivos para pontos-de-venda".
Jô Regaud, da Rádio Sociedade da Bahia, revela três grandes objetivos
para o próximo ano: "Adequar-se cada vez mais à vida da sociedade, por
meio de uma programação dinâmica, de modo a levar o rádio para as ruas
em projetos comunitários; manter o nível de qualidade da programação,
principalmente no esporte, com cobertura da Olimpíada e da eliminatórias
da Copa do Mundo, encabeçando a Rede Record de Rádio; e resgatar grandes
sucessos do rádio, como a radionovela que contará a história do Brasil
para comemorar os quinhentos anos do Descobrimento".
Revista
da Associação Brasileira de Anunciantes
Novembro/1999
GUIA DE MÍDIA 2000
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