INSPIRACAO QUE VALE MEDALHA
Reconhecimento do trabalho empolga empresas e desperta interesse das
agências
Tudo indica um resultado
positivo aos esforços que as empresas de rádio tem empreendido
para mostrar as agências que o meio precisa ser trabalhado de
maneira mais adequada. O que se ouve é que o rádio inspira
e muito a criação, enquanto algumas iniciativas comprovam
a tendência - como a decisão da organização
do Festival de Cannes de incluir o meio entre os eventos a partir de
2005 e o Prêmio de Criatividade em Rádio, que o Grupo dos
Profissionais do Rádio (GPR) e a APROSOM realizam em conjunto
e cujo resultado foi revelado durante o Maximidia 2004, que aconteceu
em setembro.
Pela primeira vez depois de 51 anos, o veículo foi incorporado
na premiação de Cannes. De acordo com o diretor do GPR,
Antonio Rosa Neto, trata-se de reconhecimento da importância do
meio no mercado publicitário.
Na Inglaterra a participação nas verbas publicitárias
saltou de 2% para 7% e esses índices empolgam a mídia
ao redor do mundo. "Isso mostra que alguma coisa fantástica
está acontecendo no setor", diz Rosa.
De acordo com o superintendente da FM O DIA, Mário Reis, é
possível ver a criatividade de volta ao rádio desde as
pecas tradicionais de 30 segundos aos testemunhais dos locutores, que
ganharam roupagem nova. "O jingle também retomou seu espaço",
atesta Reis.
Redator da F/Nazca S&S, André Kassu afirma que vários
clientes acreditam muito na força do rádio e o resultado
disso é que em 2003 cerca de 60 spots sairam da agência.
Ele cita como bom exemplo a Skol, que sempre investe no setor, seja
em eventos ou campanhas institucionais. "O rádio é
o meio cujo consumidor não espera ser surpreendido e abre mais
espaço para surpreender", diz Kassu. Segundo ele, essa mídia
permite liberdade imensa de criação. "Colocar um
dinossauro num filme custa muito e rádio basta um grito em estúdio",
sugere o redator. Mas embora as possibilidades de trabalho com o imaginário
sejam maiores, ele ainda é pouco explorado.
A campanha para Skol Beats é um dos cases bem sucedidos da F/Nazca
pois foi possível transpor para spots a peça dos astronautas
desenvolvida para a TV. "O Skol Beats acontece há cinco
anos e a gente sempre consegue surpreender, provando que vale mais do
que nunca investir", diz. De acordo com Kassu, ainda existe espaço
no rádio para bons jingles. Não é a toa que a F/Nazca
desenvolveu para a Skol jingles em vários ritmos.
A Claro é outra empresa que aposta no meio rádio, assim
como as fraldas Pampers, cuja comunicação elaborada pela
F/Nazca traz pinceladas de fábulas. Kassu avalia que a desenvoltura
da área atingiu tamanha sofisticação que alguns
programas estão migrando para a TV, como o Pânico. "Esse
movimento mostra que as pessoas estão ligadas, prestam atenção
e utilizam o rádio não apenas para ouvir música,
mas para acompanhar outras coisas", constata.
¨ O REI DA IMAGINAÇÃO
O diretor nacional de criação da Giovani, FCB, Adilson
Xavier, afirma que o rádio é o meio que melhor consegue
explorar a criatividade porque pode sugerir situações
e vários cenários e conjunturas a partir do estúdio.
"E possível trabalhar a imaginação sem gastar
fortunas", diz. Segundo ele, houve um tempo em que o mercado publicitário
se encantou com a mídia impressa, depois com a TV e agora há
uma redescoberta do rádio. Mas neste interim a área sofre
um empobrecimento da criatividade porque muitos passaram a por no spot
o áudio da TV. Porém, atualmente a criação
específica para o setor parece ganhar fôlego, tanto que
a campanha da Intelig para TV é diferente da divulgada no rádio.
"Aliás, a peca do rádio explora o tema da campanha
com mais propriedade", avalia Xavier. A rede de escolas de idiomas
CCAA e jornal O Globo também trabalham com produções
publicitárias específicas para o veículo.
A relação da Giovani,FCB com o rádio é praticamente
atávica. O fundador da agência, Paulo Giovani, foi uma
das maiores audiências da área no Brasil pelos 19 anos
em que integrou a equipe da Rádio Globo. Xavier também
tem ligações estreitas com o meio, pois começou
a carreira compondo jingles e sempre que há tempo atua na criação
de trilhas. "O jingle está voltando para o setor por vias
tortuosas que são as campanhas político-partidárias",
lamenta. Para ele, a queda da qualidade criativa acabou beneficiando
a volta do jingle não como atributo estratégico das campanhas,
mas como tábua de salvação. "Ele tem sido
usado como muleta para a falta de idéias", critica.
O diretor comercial da Rede Bandeirantes, Sérgio Sitchin, afirma
que a emissora tem alguns cases excepcionais de utilização
do rádio dentro do programa Na Geral. "O mercado percebe
e utiliza bastante esses formatos", confirma. Segundo ele, o reconhecimento
mais sólido é o Prêmio de Criatividade em Rádio
do GPR. "É importante ressaltar que existem agências
que criam peças maravilhosas para o veículo com resultados
excelentes para o anunciante", concluiu.
Texto extraído do M&M Especial - Rádio
27/Setembro/2004