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GPRs
PELO BRASIL
Grupo
Profissionais de Rádio é fundado em várias praças com o objetivo de estimular
o mercado publicitário a direcionar maiores investimentos para o meio.
O rádio ganhou força nos últimos anos com o surgimento de entidades que
visam especificamente direcionar esforços no sentido de revitalizar o
meio. O Grupo Profissionais de Rádio (GPR), por exemplo, vem se destacando
pela sua atuação. Criado há dois anos, começa a gerar ramificações. Estão
em projeto de implantação os GPRs de Minas Gerais, Rio Grande do Sul,
Salvador, Paraná e Pernambuco. O mais recente, do Rio de janeiro, foi
estabelecido oficialmente em fevereiro deste ano. Os principais objetivos
são valorizar o rádio e seus profissionais, estimulando o mercado publicitário
a direcionar investimentos crescentes para o meio. O GPR São Paulo promoveu
o primeiro prêmio de criatividade em rádio no ano passado, que vem estimulando
profissionais da área. Foram inscritas cerca de 250 peças neste ano. As
15 maiores emissoras, em faturamento, publicidade e audiência de São Paulo
são afiliadas à entidade. A próxima meta é desenvolver o prêmio criação
nacional.
Neste atual estágio de crescimento do meio rádio, as entidades querem
mostrar ao segmento publicitário que a mídia saiu do ostracismo, a sua
audiência não está mais limitada a algumas horas do dia por causa da hegemonia
das redes de televisão e, principalmente, que o meio renasceu com a Internet.
Hoje se fala num novo rádio, que alavanca audiência, rompe fronteiras
sai do seu alcance limitado e, além de tudo, é a mídia mais convergente
com a Web porque é multidimensional, não absorve totalmente o ouvinte
como nas mídias tradicionais, entre outros atributos.
Para o presidente do GPR-SP, Antonio Rosa Neto, o rádio vem se superando
e os números comprovam - depois de uma queda acentuada de share em 1998
(4%), subiu para 4,7% no ano passado e as indicações para este ano são
de que chegue a 6%. Toninho Rosa entende que o GPR teve participação fundamental
neste desempenho, pois a entidade tem se tornado uma ferramenta de pesquisa
às agências. Outros trabalhos desenvolvidos por ela são os cursos, seminários
e até encontros informais, como o rádio café-bar, sempre às sextas-feiras,
em que os participantes, sem paus definida, discutem o meio. "É uma ação
que provoca união e eleva o moral", acredita Toninho Rosa.
O GPR tem mostrado ao mercado publicitário que a audiência da televisão
migrou para o rádio, só superada a partir das 19 horas, mas retomada às
2 horas da madrugada. O rádio possui um público fiel pela sua própria
característica segmentada - permite a escolha de estilo, está em todos
os lugares e pode acompanhar o ouvinte. "O rádio tem a mesma capacidade
de cobrir a população que as emissoras de televisão", afirma.
A era da economia aberta, competitiva e globalizada é perfeita para o
rádio, que é segmentado, permitindo ao anunciante usufruir do seu nicho
de mercado, enquanto a televisão só agora busca esta tendência. Segundo
o presidente do GPR-RJ, Jairo Carneiro, a atuação da entidade visa viabilizar
novas ferramentas para o meio, qualificar os profissionais, estimular
a criação competente, atrair novos investimentos e fazer o rádio ser percebido
como um canal sério, eficiente e que gera resultados. Ela agrega 16 associadas,
das 150 que existem no Estado. Um dos acabar com este problema, a maioria
ainda está olhando para o seu próprio umbigo, mas as que participam do
GPR já deixaram essa postura", garante.
Para o diretor executivo da Associação Brasileira de Emissoras de Rádio
e Televisão (Abert), Oscar Luís Piconez, as emissoras estão cada vez mais
unidas em torno das associações ou dos sindicatos, e as experiências do
GPR têm sido bem-sucedidas em outros Estados. "Somente com o setor unido,
o rádio poderá crescer e ganhar a confiabilidade que o mercado publicitário
exige. Nós, como também as associações, estamos trabalhando para a valorização
do meio.
Para Piconez, a Abert e as associações regionais preocupam-se igualmente
com o rádio e televisão. "O rádio como negócio mais frágil e sujeito a
concorrências desleais, como a das rádios ilegais, tem recebido mais atenção
das associações", afirma. A Abert foi criada em 1962 para representar
os interesses do empresariado da radiodifusão brasileira e atuar como
interlocutora nos órgãos do governo. Hoje estão afiliadas à entidade 1.470
emissoras de rádio, 50% do mercado nacional e 183 de televisão aberta.
Os principais objetivos da nova diretoria são: a continuação do combate
às rádios ilegais, o desenvolvimento do portal da radiodifusão, a promoção
da maior integração entre associações regionais e Abert e a valorização
das pequenas emissoras no País. Entre as ações desenvolvidas pela entidade
estão o convênio com o Escritório Central de Arrecadação e Distribuição
de Direitos Autorais (Ecad), que estabelece desconto de 25% sobre o valor
cobrado em direitos autorais para as emissoras afiliadas. A Abert dispõe
também de assessoria jurídica e técnica, e auxilia as emissoras nos pedidos
ocasionais de dispensa de veiculação da Voz da Brasil, sendo responsável
pelo trâmite na Secretaria de Comunicação da Presidência da República.
Uma assessoria parlamentar também acompanha todos os projetos de lei sobre
radiodifusão em tramitação no Congresso Nacional. Um boletim informativo
quinzenal e o website www.abert.org.br mantêm canais de comunicação. O
site da entidade foi criado em abril e contabiliza 4.750 acessos. Segundo
Piconez, o número de vendas do mailing da radiodifusão cresceu 50% após
a criação do site. O depoimento de alguns radiodifusores revelou que a
Internet ainda não dá lucros, mas pode ser uma alternativa ao negócio
tradicional, e é possível agregar o comércio eletrônico de CDs, revistas
sobre música e outros produtos vinculados à programação.
A Associação das Emissoras de Rádio e Televisão do Estado de São Paulo
(Aesp) também atua num campo vasto, desde normas jurídicas às técnicas,
com o objetivo de deixar o radiodifusor em dia com o que está acontecendo
no meio, o que se tornou mais ágil e eficaz com a Internet. A entidade
possui 580 associadas, quase 100% do total. Segundo o vice-presidente
Edilberto de Paula Ribeiro, destas, cerca de 200 transmitem a programação
online, mas em um ano todas devem estar na Web. Ribeiro comentou que a
entidade vem limitando a ação individual das emissoras através da aproximação
durante congressos e seminários. "Neste ano, levamos 145 pessoas para
a NAB, feira anual do setor em Las Vegas , e no ano que vem queremos levar
250, com baixo custo, para possibilitar a participação do pequeno radiodifusor",
finaliza.
Meio & Mensagem, 23 de outubro de 2000.
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