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FÔLEGO
NOVO
O
share do meio Rádio deve voltar a crescer em 2000, e os bons resultados
têm renovado as esperanças dos executivos. Eles estão certos de que, em
breve, os anunciantes reconhecerão com mais efetividade que as emissoras
estão fazendo sua parte, investindo cada vez mais na área de programação
e no aperfeiçoamento com o mercado publicitário.
Mudanças à vista?
É notório que, nos últimos anos, o meio Rádio não tem enfrentado problemas
com seus índices de audiência. Os esforços direcionados à área de programação
têm gerado excelentes resultados, e hoje ninguém mais coloca em xeque
o alto padrão de qualidade alcançado por grande parte das emissoras profissionais
do país. A boa notícia é que a receita publicitária está voltando a crescer,
conferindo um novo fôlego aos profissionais do setor. Como se pode notar
o discurso do "primo pobre", sempre prejudicado pelas outras mídias, está
finalmente ficando no passado.
A mudança pode ser creditada, com certeza, aos seguintes fatores:
1) ao crescimento real de share do meio no ano passado, resultado que
deve se repetir em 2000, em 2001, 2002...
2) ao trabalho desenvolvido por entidades como o GPR - Grupo dos Profissionais
do Rádio.
"O meio Rádio tem tido uma performance excelente desde 1999, quando apresentamos
um aumento da ordem de 26,2%. No primeiro semestre de 2000, o faturamento
cresceu 45,36% em relação ao mesmo período do ano passando, perdendo apenas
para o segmento TV por assinatura", informa Cristina de Bonis, diretora
comercial da Brasil 2000, referindo-se aos dados divulgados pelo Projeto
Intermeios.
No entanto, as emissoras não estão satisfeitas com a performance obtida
na área de publicidade, elas querem muito mais, principalmente uma melhor
utilização dos recursos disponibilizados pelo veículo, mostrando que estão
mais conscientes de que devem ser mais ativas para atingir tais objetivos,
gerando alternativas mais atraentes para o mercado anunciante.
Na pauta, a formação das Redes.
Sobre o processo de formação das Redes, esse fator tem se apresentado
como um dos caminhos para o fortalecimento do meio.
Luiz Guilherme Albuquerque, diretor superintendente da Transamérica destaca
que os maiores diferenciais são a melhoria na qualidade de programação
e a redução dos custos operacionais. Reservamos aos nossos franqueados
bons horários para as atrações locais. Quanto à receptividade do mercado
anunciante, temos observado um crescimento significativo da verba em nosso
faturamento, pois temos procurado habituar o mercado a incluir rádio em
suas campanhas net.
Maria Cristina da Hora, diretora comercial da 89FM, concorda com a opinião
da Transamérica, acrescentando que para o processo de formação das redes,
deve ser encarado como parte de uma estratégia mais resultados imediatos
em termos de redução de custos. No caso da 89, ela explica que a emissora
investiu na implantação da Rádio rock porque acredita na força da marca
construída ao longo dos 15 anos. "Conquistamos mercados importantes, e
nossa maior preocupação é com a qualidade e não com a quantidade. Temos
trabalhado com produtos alinhados em rede e com atrações locais. É fundamental
trabalhar a questão da segmentação, valendo-se do poder de dominância
junto ao público" sintetiza Cristina.
Armindo Ranzolin, diretor da Rádio Gaúcha, confirma que a criação da Gaúcha
Sat valorizou a grade de programação, ajudando na conquista de novos anunciantes.
"Sem dúvida, há espaço para as rádios independentes. Nos centros mais
desenvolvidos, nossas afiliadas têm liberdade para produzir programação
própria, desde que cumpram os horários definidos em contrato para retransmissão"
esclarece.
Rubens Campos, do Sistema Globo de Rádio, salienta que esse sucesso depende
do respeito à força do rádio como veículo de comunicação local. Citando
a CBN como exemplo, ele revela que a rede é líder no segmento all news
nos 20 mercados que atua, produzindo 18 horas diárias de programação local.
Além do número de anunciantes estar crescendo, as grandes empresas já
estão adotando a Rede CBN como mídia obrigatória, pois sem dúvida a cobertura
é um atrativo importante, analisa.
Foco
nos Mercados Locais
Nem todos compartilham da mesma opinião a respeito do papel desempenhado
pelas redes.
Miguel Tobal Jr., diretor comercial da Transcontinental, informa que não
tem intenção de adotar o modelo. "Já recebemos alguns convites, mas achamos
complicado marcar presença em diversas praças. A Transcontinental é independente
e está há mais de 7 anos entre as primeiras em audiência na Grande São
Paulo", argumenta.
Cristina de Bonis, da Brasil 2000, também acha que as redes não sejam
o único caminho para fortalecer o meio. É preciso considerar que as rádios
independentes têm conseguido bons resultados de audiência e faturamento.
Quanto ao problema da dispersão, existem associações como o GPR, que tem
trabalhado em prol da união das emissoras. "Nem sempre uma programação
segmentada terá a mesma performance em mercados diferentes", argumenta.
Mas, reconhece que as redes têm mais facilidade para conquistar os clientes
por exporem sua comunicação para grande parte da população a um custo
menor.
Neder Adib, da Capital, as estratégias adotadas pelas redes têm sido bem
sucedidas, mas as rádios independentes continuam fortes e auto-suportadas
artística e comercialmente, ressalta.
Fábio Correa de Faria, diretor comercial da Mix, considera que a rede
é uma alternativa apenas para as emissoras já estabelecidas, mesmo assim
a adoção deve ser avaliada com cuidado. "As verbas do mercado publicitário
ainda estão muito concentradas em São Paulo e Rio de Janeiro. É preciso
estudar a situação de cada mercado.", diz. "A Mix é um ótimo exemplo de
rádio independente. Em apenas 3 anos conseguimos uma excelente penetração
junto ao público jovem, com programação característica", argumenta.
A Mix está em fase de negociar com emissoras que operam no Interior de
São Paulo e outros estados, envolvendo parcerias comerciais e de programação,
mas não devem formar uma rede. "Nosso objetivo é marcar presença em pontos
estratégicos do país", explica.
Paula Canoletti, diretora comercial da Rádio Eldorado, é enfática: "Questiono
o conceito de que as redes fortalecem o meio rádio. Estamos falando de
um veículo que toca sobretudo os sentimentos e as sensações. Dificilmente
conseguimos estabelecer esse tipo de relação com problemas que estão muito
distantes dos nossos olhos.Comercialmente, temos percebido que somente
as grandes corporações acabam optando pelas redes, recaindo sobre o fator
preço, tendendo a serem mais populares", avalia.
A Internet é Bem-vinda.
Outra questão importante refere-se ao avanço da internet e os seus efeitos
para o meio rádio.
A maioria dos executivos das emissoras está convicta de que o novo canal
é um importante aliado na conquista de ouvintes e, também, de receita
publicitária.
Maurício Negrão, da Antena 1, "o que existe até agora é uma complementação
dos meios. A internet vem sendo muito bem explorada pelas emissoras, que
agora dispõem de mais um canal de comunicação com os ouvintes", diz.
Fábio Correa de Faria, da Mix, afirma que nessa fase a internet depende
do rádio para popularizá-la. Para o mercado anunciante, ele concorda que
as ações promocionais ganharam poderosa aliada.
Albuquerque, da Transamérica, lembra: há muito tempo o rádio possibilita
que o ouvinte interaja com o meio, pedindo uma música ou enviando uma
opinião. Hoje, a internet proporciona velocidade a essa ação, colaborando
para uma maior participação dos ouvintes. Para o anunciante, as vantagens:
menor tempo de resposta para as ações realizadas em conjunto, melhor aproveitamento
da verba e maior índice de acerto a partir de ações mais rápidas e criativas
para marcas e produtos.
Miguel Tobal Jr, da Transcontinental, concorda "que as emissoras geram
conteúdo de alta qualidade quando agregadas à internet e com isso estarão
sempre ganhando", afirma.
Modelos de sucesso.
Independente do que aconteça no futuro, algumas emissoras têm feito incursões
muito bem sucedidas.
"O rádio é por excelência um veículo interativo", diz Cristina da Hora,
da 89 FM. "No caso da 89, temos hoje uma série de programas que utilizam
o site da emissora para dinamizar o relacionamento com os ouvintes. Com
isso estamos agregando ao nosso negócio uma comunidade virtual muito importante",
afirma.
Cristina diz que o anunciante só tem a ganhar com essa união, pois podem
realizar várias ações. "Estamos colecionando cases muito interessantes
nessa área", afirma.
Armindo Ranzolin da Rádio Gaúcha, é categórico "Com o real áudio via internet
passamos a ser uma rádio mundial.Temos trabalhado com conteúdos muito
competitivos, obtendo um retorno muito alto de ouvintes em todos os continentes.
O mercado anunciante ainda não percebeu a oportunidade que tem para vender
sua marca", complementa.
Rubens Campos, do Sistema Globo de Rádio, aposta no sucesso do rádio na
internet: "Queremos reproduzir no mundo on-line a liderança que temos
hoje no off-line" e destaca que o lançamento da RadioClick foi norteado
justamente por esse objetivo. O número de visitas ao portal chega a 120
mil ouvintes/mês, e vários anunciantes já experimentaram e aprovaram.
Paula Canoletti, da Rádio Eldorado, considera que a presença do rádio
na internet ainda leva algum tempo para ser consolidado, mas não tem dúvidas
sobre as vantagens para o anunciante. "Não existe mídia mais adequada
à net do que o rádio. Com a tecnologia wap, por exemplo, hoje já podemos
tocar um jingle simultaneamente nos dois veículos", afirma.
Neder Adib, da Rádio Capital, é mais cauteloso. "É cedo para qualquer
estimativa", analisa.
Boas Notícias nas Ondas do Rádio
Todas as emissoras estão trabalhando em novos projetos para 2001.
A Antena 1 pretende atrair a atenção do mercado publicitário com intervalos
comerciais de apenas um minuto de duração. O projeto lançado em final
de Outubro deve garantir maior recall para as mensagens dos anunciantes.
Transamérica destaca, para o próximo ano, a reformulação do site e uma
equipe dedicada exclusivamente à área esportiva, além dos projetos como
a Rede Hits, dirigida ao segmento popular e com uma programação mais eclética
que as das redes Pop e Light.
A Trancontinental promete movimentar a temporada do verão no litoral paulista
A 89 FM trabalhará a todo vapor seu projeto de rede da Rádio Rock além
de reformulação do site.
A Mix tem como novo projeto na área de programação, o segmento pop-rock.
O objetivo também é aprimorar as atrações humorísticas e jornalísticas
da casa, além de ações no litoral paulista e Campos do Jordão.
Foco no Aprimoramento Tecnológico.
Além dos projetos na área de programação, as emissoras prometem investir
em tecnologia.
A Brasil 2000 colocará em operação seu novo transmissor, proporcionando
melhor recepção do seu sinal.
A Rádio Capital pretende dar continuidade ao seu reequipamento técnico
de transmissão, visto que é a maior do Brasil, em termos de potência -
200 mil watts, o que possibilita uma cobertura nacional.
A Rádio Gaúcha promete aprimorar suas transmissões externas tanto em esportes
como no radiojornalismo.
No Sistema Globo de Rádio, os esforços serão direcionados para as áreas
de treinamento e de capacitação das equipes técnicas da casa. O SGR tem
planos ambiciosos para a internet: "Pretendemos alcançar liderança do
meio rádio na Web investindo pesado na RádioClick", revela Campos.
A Rádio Eldorado também está de olho nas novas oportunidades do mundo
virtual e pretende incrementar mais as promoções interativas, aproveitando
a afinidade com a internet.
Revista do Anunciante, novembro de 2000.
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