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A
VIRADA DO MEIO RÁDIO
O momento que o rádio está passando nos ajuda bastante a refletir
sobre o nosso negócio. Após anos amargando enormes dificuldades, o rádio
está demonstrando que com reposicionamento estratégico é absolutamente
viável não só a sobrevivência, mas a conquista de resultados.
Do ponto de vista de audiência, os dados não poderiam ser melhores: registro
do Ibope apontam um fantástico e curioso crescimento de 40% na audiência
nos últimos anos, tornando-se a mídia que mais cresce em audiência no
Brasil. E, segundo o Estudo Marplan, sua penetração é praticamente igual
à da televisão, sendo consumido por mais de 90% da população.
O incrível é que, do ponto de vista publicitário, o rádio foi o meio de
massa que mais cresceu. Em 1999 foram exatos 27% quando a totalidade do
mercado subiu apenas 7%. O fechamento do primeiro semestre de 2000 é ainda
mais animador: o rádio teve um crescimento de 45% sobre o mesmo período
do ano anterior.
Sabemos que o poder que o meio rádio exerce sobre a população brasileira
é inquestionável. Uma dessas evidências foi a pesquisa coordenada pela
agência de propaganda Propeg, chamada "Fala Brasil", realizada com 1,7
mil pessoas em todo o país, revelando uma imensa aceitação do rádio pela
população. Quando questionados a respeito da satisfação em relação aos
meios de comunicação, o rádio ficou em primeiro lugar; 75% dos entrevistados
disseram estar satisfeitos com o veículo, enquanto TV obteve apenas 54%
de satisfação.
Acreditamos que esse resultado é fruto do enorme esforço dos profissionais
do meio, que inclusive já identificaram as tendências do futuro da comunicação:
a segmentação. Hoje praticamente todas as emissoras de rádio são segmentadas
por perfil de público, o que contribui para essa aprovação. Isso porque
a massificação atrapalha a comunicação, uma vez que tem a necessidade
de ser genérica. Um exemplo disso é a TV aberta. Lá os telespectadores
é que se encaixam na grade da emissora, completamente diferente do rádio,
onde o ouvinte seleciona a emissora de sua preferência, enquanto a programação
não muda.
No mês de abril deste ano, a revista Anunciantes, da Associação Brasileira
de Anunciantes (ABA), apresentou o meio rádio em matéria de capa. O editorial
fazia um verdadeiro chamamento aos anunciantes para o momento e mais de
20 páginas elogiavam o sucesso e o resgate do meio.
Outras informações animadoras vêm do Rádio Advertising Bureau (RAB), uma
associação de rádio dos Estados Unidos. Lá o desempenho do meio é um sucesso,
sendo a mídia mais consumida entre todas as demais, superando inclusive
o meio TV. Não é à toa que a participação publicitária do rádio nos EUA
é também a que mais cresce.
Enfim, em um mercado em total transformação, onde a tecnologia vem convergindo
determinadamente com a mídia, o rádio nos demonstra que o futuro da comunicação
é a segmentação, que o reposicionamento é possível e que a tecnologia
não é nenhum "Bicho-papão".
Revista Propaganda, outubro de 2000.
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