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SELEÇÃO CANARINHO VAI DESPERTAR MILHÕES DE OUVINTES A exemplo do que ocorreu em 2000, durante a Olimpíada de Sydney, na Austrália, na próxima edição da Copa do Mundo, que se realiza a partir de maio no Japão e Coréia, os ponteiros tornam a correr contra o fuso brasileiro, mas a favor das rádios. Justamente pela inversão no relógio, o meio deverá ser o que melhor proveito tirará das transmissões dos jogos, visto que as partidas da seleção brasileira, com início previsto para o período entre 3:30 e 8:30, coincidem com o horário nobre radiofônico. "Nestes horários diferenciados, o meio continua sendo o de maior prestígio, pois além de ser parceiro de quem costuma ver o jogo na TV, mas ouve pelo rádio, é companheiro único e imbatível daqueles que estiverem trabalhando ou em trânsito", avalia José Luiz Nascimento Silva, diretor de mercado e novos negócios do Sistema Globo de Rádio. Além da Globo, outras 11 rádios brasileiras formaram um pool para adquirir os direitos de transmissão do evento, pertencentes à Globo Esportes: as paulistas Transamérica e Bandeirantes; a mineira Itatiaia; as sulistas Guaíba, Pampa, Gaúcha e Paiquerê; as nordestinas Jornal do Commercio, do Recife, e Sociedade, de Salvador; e as goianas CBN Anhanguera e Rádio K do Brasil. De acordo com Márcia Cintra, diretora de contratos esportivos da Globo Esportes, o valor total da cessão de direitos de US$ 3 milhões foi dividido em duas modalidades de pagamento: US$ 1milhão em dinheiro e US$ 2 milhões em caráter de permuta. A seleção das rádios foi intermediada pela Abert Associação Brasileira das Emissoras de Rádio e Televisão, num processo que durou quatro meses e contou com a coordenação do diretor-executivo da entidade, Oscar Piconês. "Apesar de já termos composto um grupo de 12 rádios, ainda estamos abertos a negociar com outras empresas interessadas", informa Piconês, revelando que, fora os valores referentes às permutas, as emissoras paulistas desembolsaram US$ 116 mil cada; a mineira Itatiaia, US$ 86 mil; e as demais, US$ 56 mil cada uma. A confiança sobre a adesão dos torcedores ao bom e velho rádio é tanta que, a três meses da Copa e a despeito do irregular desempenho da equipe canarinho, grande parte das emissoras já comercializou suas cotas de patrocínio e selou acordos de retransmissão com suas afiliadas. Mesmo considerando-se os altos custos envolvidos com a cobertura da competição, sediada em dois países do lado oposto do globo, os executivos das emissoras estão enviando grandes equipes próprias para o Oriente, enquanto comemoram os bons resultados comerciais e a estimativa de que a Copa represente entre 10% e 30% do faturamento anual de suas empresas.
A fim de otimizar o diferencial mercadológico representado pela transmissão do torneio, as emissoras estarão colocando no ar uma série de subprodutos que agregarão valor às suas grades de programação e maximizarão a exposição das marcas patrocinadoras. A fórmula baseia-se essencialmente no desenvolvimento de programetes e boletins informativos, contagens regressivas, debates, enquetes populares e promoções diversas. É o caso da Rede Transamérica, que, além dessas atrações, apostará na interatividade entre os seus ouvintes através de ações promocionais como "Transbolão", "Gritos de Gol Transamérica", "Painel eletrônico" e "Adesivo premiado". Em seu plano comercial, a emissora disponibilizou oito cotas master, que dão direito a uma carga de 1.800 comerciais de 30 segundos e menções de patrocínio durante transmissões e chamadas, negociadas a R$ 400 mil cada, das quais sete foram adquiridas por AGF Seguros, Baterias Heliar, Café Pilão, Casa & Construção, JVC, Laboratórios Luper e Sherwin Willians. Ainda estão sendo ofertadas ao mercado cotas de patrocínio de programetes a R$ 90 mil cada, que garantem citações do anunciante e inserções de comerciais de 30 segundos. "Esperamos que o projeto Copa do Mundo represente 15% do faturamento anual da empresa, composta pela Rede Transamérica Pop, voltada ao target jovem AB, a Rede Transamérica Light, dirigida ao público adulto qualificado, e a Rede Transamérica Hits, cujo target é o segmento popular que abrange ouvintes dos 15 aos 50 anos", explica o diretor-superintendente, Luiz Guilherme Albuquerque, que também espera fechar acordos de retransmissão com outras 80 emissoras espalhadas pelo País. Para divulgar seu amplo esforço na cobertura da Copa, que inclui o envio de 11 profissionais à Ásia e envolve um time estelar capitaneado pelos locutores Eder Luiz, Márcio Bernardes, Cléo Brandão, Gavião, Henrique Guilherme, entre outros, a Transamérica está assinando uma ampla campanha publicitária composta por anúncios, spots, outdoors e adesivos desenvolvidos pelo departamento de marketing da empresa. "Além do bom resultado em termos de receita, temos absoluta certeza de que ganharemos a briga pela audiência, como já ocorreu na Copa da França, em 1998, quando a Transamérica foi a emissora mais ouvida durante as transmissões dos jogos, superando até as tradicionais AMs", assevera Albuquerque. O otimismo também norteia as aspirações da concorrente Rádio Bandeirantes, cuja avaliação é de que a Copa deva representar 18% do faturamento previsto para o atual exercício. "Capitalizaremos o evento através de uma ampla programação jornalística, fortemente favorecida pelo horário de transmissão dos jogos, cujo rescaldo invadirá o horário em que os ouvintes estarão no trânsito", considera Marcelo Mainardi, diretor comercial da empresa, que durante os jogos deverá retransmitir seu sinal para outras 60 rádios. Incrementarão a grade de programação, comandada pelos 14 profissionais que serão enviados ao Oriente, entre os quais os locutores José Silvério e Sílvio Luiz, atrações como contagem regressiva, a enquete popular "Alô Seleção" e a apresentação de "Gols Históricos". Em breve uma campanha elaborada pela Touché comunicará ao trade e ao público ouvinte o plano de cobertura da Bandeirantes. Das sete cotas de patrocínio ofertadas pela empresa, cinco já foram adquiridas por Bradesco, Conhaque Presidente, Ford, Sony e Telesp Celular. Por seu turno, o Sistema Globo de Rádio está negociando a transmissão da Copa do Mundo dentro de seu plano anual de cobertura futebolística, em duas modalidades distintas: seis cotas de R$ 2,4 milhões para a programação da Rádio Globo AM de São Paulo e outras seis cotas de R$ 1,7 milhão para a Globo AM do Rio de Janeiro. Já figuram como cotistas no mercado paulista a Dorsay, o Conhaque Presidente e a Kaiser, e no mercado fluminense, Bradesco, Dorsay, Rasgadinha do Rio, Sinaf e Telefônica. A rede também se valerá de todas as suas atrações relacionadas ao futebol para incrementar o Projeto Copa. Entre elas encontram-se o "Escalação/Craque", "Comentário do Jogo", "Globo na Rede", "Enquanto a Bola não Rola", "Panorama Esportivo", "Papo de Botequim", "Globo Esportivo" e "Ponte Aérea Globo Esportivo". À frente das transmissões estarão o comunicador José Carlos Araújo, o "Garotinho", e os repórteres Eraldo Leite e Romeu César. Valendo-se do amplo espectro de mídias componentes das Organizações Globo, o Sistema Globo de Rádio ampliará o seu raio de alcance por meio de um plano cross-media, que envolve a transmissão de seu sinal pelo site www.radioclick.com. br e pela Sky. Em sua décima cobertura de Copa e completando 50 anos no ar, a mineira Itatiaia está investindo fortemente na data, que deve responder por até 10% de seu faturamento anual. A estimativa é baseada na comercialização de dez cotas de patrocínio para a transmissão ao vivo de no mínimo 30 jogos, divididas nas categorias normal (R$ 156 mil), especial (R$ 186 mil) e total (R$ 228 mil). Kaiser e Cemig já adquiriram as cotas totais, enquanto Caninha 51, Centro Ótico, Cimentos Cauê, Ford, Pneusola e Varejão das Tintas aderiram às normais. A emissora também está compondo um leque de atrações relacionadas ao período, como boletins informativos (quatro cotas de R$ 57 mil cada), "Copa em um Minuto" (quatro cotas de R$ 64 mil cada), as enquetes "O Povo na Copa" (duas cotas de R$ 39 mil cada) e, em caráter de patrocínio exclusivo, a contagem regressiva (R$ 22 mil) e o "Top de 5 Segundos" (R$ 12 mil). "É preciso criar um supermercado de produtos para atender a todo tipo de cliente", avalia Carlos Rubens Doné, diretor comercial da rádio. A Itatiaia colocará em campo no Japão e Coréia uma equipe de 12 profissionais, capitaneados pelas pratas da casa Willy Gonzer e Alberto Rodrigues. Durante o evento, a programação gerada pela rádio deverá cobrir cerca de 90% do território mineiro, através de acordos de retransmissão selados com 53 afiliadas. Uma campanha desenvolvida pela SMPB comunicará ao trade e ao público ouvinte tanto sobre os esforços da rádio em torno da Copa quanto sobre seu jubileu.
Caçula entre as rádios presentes na Copa, há apenas cinco anos no ar, a goiana Rádio K do Brasil, de propriedade do apresentador da Rede TV! Jorge Kajuru, parte para a segunda cobertura do torneio com uma modesta perspectiva quanto ao resultado comercial em torno do evento. "Se empatarmos o faturamento com o custo envolvido na aquisição de direitos e cobertura, já será lucro", explica Graça Torres, diretora de eventos e marketing da emissora, que investiu US$ 150 mil no projeto. Para tanto, a Rádio K disponibilizou cerca de 15 cotas de patrocínio, das quais 12 divididas igualmente entre as categorias Ouro, Prata e Bronze, e negociadas, respectivamente, pelos valores de R$ 80 mil, R$ 40 mil e R$ 20 mil. Já aderiram às propostas Ouro o Bradesco, o Conhaque Domus e a Universidade Salgado de Oliveira. As modalidades Prata atraíram a Água Mineral Goiá, Poolcor Seguros e Uniodonto; e as Bronze, a rede de farmácias Santa Mônica e Novo Mundo. Além das transmissões dos jogos, a Rádio K marca presença no dial com os programas "Preparação Esportiva", "A Hora do Kajuru", "Debates Esportivos", "Toque de Primeira" e "K Sporte Show", capitaneados por astros da mídia esportiva nacional como o próprio Jorge Kajuru e o comentarista Juarez Soares, entre outros. Uma campanha de comunicação criada pela OMB Propaganda divulgará os esforços da equipe em solo asiático. A conterrânea CBN Anhanguera, por meio de uma joint venture com a locadora de horários radiofônicos Rede Brasileira de Esportes, está apostando alto naquele que deve ser o projeto responsável por 30% do faturamento anual da emissora. "Investimos R$ 350 mil na ação e estimamos um faturamento de R$ 500 mil", revela Romes Xavier, diretor comercial da Rede Brasileira. Para sustentar tal ambição, o departamento comercial da rádio estruturou um plano que ofertará ao mercado seis cotas de R$ 120 mil cada. Afora as transmissões dos jogos, a CBN Anhanguera agregará à sua grade o programete informativo "Brasil na Copa", baseado em informações colhidas pelos 12 profissionais, capitaneados pelo diretor de esportes, Ricardo Lima, que estarão acompanhando os acontecimentos nos campos japoneses e coreanos. Uma ampla campanha de divulgação desenvolvida pela agência Petit Comitê será veiculada nas diversas mídias que compõem as Organizações Jaime Câmara, à qual pertence a rádio, notadamente a TV Anhanguera e o jornal O Popular. Por seu turno, a Rádio Jornal do Commercio, do Recife, oferece ao mercado duas modalidades de patrocínio, o Plano Um, no qual a cobertura da Copa foi inserida num esquema de cobertura anual do calendário futebolístico, e o Plano Dois, em que o evento, cuja venda deve representar 17% do faturamento da emissora, é comercializado de modo independente. À primeira versão, negociada a R$ 300 mil, aderiu a Kaiser, enquanto a segunda, cotada em R$ 200 mil, foi adquirida pela operadora TIM e pelas Indústrias Muller. Além dos jogos, a emissora estará transmitindo oito boletins informativos diários e um noticiário noturno, incrementados por dados fornecidos pelos cinco profissionais enviados à Copa, entre os quais Adilson Couto, Iata Jr. e Natan Oliveira.
Ao completar 75 anos de história, a Rádio Gaúcha, pertencente ao grupo RBS, também optou pela negociação de planos referentes à Copa do Mundo dentro de seu projeto anual de futebol. São ofertadas oito cotas-âncora no valor de R$ 524 mil cada, já adquiridas pela Claro Digital, Natu Nobilis, Pepsi, Petrobras, Ponto Frio, Santander, Sesi Farmácias e Supermercado Nacional; bem como cotas para segmentos especiais da programação, no valor de R$ 273,6 mil cada. Alpargatas, Expresso Mercúrio, Fiat, Kaiser, Metalúrgica Altero e Tramontina figuram como cotistas dessa modalidade de patrocínio. As Lojas Paquetá, a Sul Financeira e as Tintas Killing comparecem como anunciantes apenas no período específico da Copa. "Estimamos que o mundial venha a representar cerca de 20% do nosso faturamento anual", adianta Armindo Ranzolin, diretor da Rádio Gaúcha, que estará enviando dez profissionais ao evento, encabeçados pelo narrador titular Pedro Ernesto Denardin e o comentarista Ruy Carlos Ostermann. Ainda em fase de definição, a programação especialmente talhada para a cobertura do torneio será agregada à grade normal da Gaúcha, que já conta com os programas e quadros futebolísticos "Tempo do Jogo", "Craque do Jogo", "Torcedor é o Show", "Bola na Rede" e "Comentarista do Jogo". Auto-intitulando-se "a rádio das Copas", a Guaíba orgulha-se de sua participação na transmissão de todos os mundiais desde 1958. A tradição na cobertura impulsiona o otimismo da rádio, que estima alcançar 30% de seu faturamento anual com o evento. "Em 2002, o Brasil não vai parar para ver os jogos porque o horário é muito cedo, o que fará do rádio o veículo da Copa por excelência", acredita o diretor comercial da Guaíba, João Muller. Dentro de um plano anual, as cinco cotas denominadas "Jornadas de transmissão" já foram adquiridas, a R$ 35 mil mensais cada, por Banco Santander, Coca-Cola, Quartzolit, Sesi e Telefônica. Nas outras seis cotas regionais, negociadas a R$ 15 mil mensais cada, figuram diversas marcas locais. Uma campanha publicitária idealizada pela Matriz divulgará os esforços da Guaíba, que terá seis profissionais como correspondentes, entre eles o narrador Haroldo de Souza e o repórter Luis Carlos Reche. Além das 34 retransmissoras fixas, a Guaíba fornecerá seu sinal para outras 350 emissoras em Santa Catarina e Rio Grande do Sul. Em sua quinta Copa, a Rádio Paiquerê de Londrina prevê uma ampla influência do acompanhamento dos acontecimentos na Coréia e Japão em sua grade. Dedicando-se à transmissão de no mínimo 20 jogos, a emissora formatará ainda o programa "Mesa Redonda" e distribuirá as informações colhidas em campo ou generalidades referentes aos países-sede do evento ao longo de sua programação. Paralelamente, a Paiquerê distribuirá, gratuitamente, um guia de 36 páginas com os principais dados referentes ao torneio. Com uma tiragem de 60 mil exemplares, o livreto reforçará a campanha institucional a ser deflagrada pela empresa, composta por comerciais, anúncios, spots e outdoors. "Acreditamos que o evento representará 30% do nosso faturamento deste ano", calcula J. B. Faria, diretor-presidente da Paiquerê. Tal previsão baseia-se na comercialização dos chamados Planos Integrais, que garantem a exposição da marca nas transmissões dos jogos, programas, boletins e amistosos, negociados a R$ 75 mil cada e adquiridos por Baterias Reifor, Bradesco, D. M. Indústria Farmacêutica, Juntas Santa Cruz, PVC Brazil e Sercomtel Telecomunicações. Participações em programas esportivos durante o torneio estão sendo ofertadas a R$ 10 mil cada. A equipe da Paiquerê será capitaneada pelos narradores J. Mateus e José Manoel e pelo comentarista J. B. Faria. Expectativa por incremento na audiência O ano de 2002 mostra-se
auspicioso para o meio rádio, que se apresenta como o mais favorecido
pelo ingrato horário de transmissão dos jogos da seleção
brasileira. "A Copa será a grande arrancada para a consolidação
do resgate dessa mídia. Além disso, durante as transmissões
das partidas, estimamos um crescimento fantástico na audiência
do já nobre horário da manhã, algo em torno de 50%",
avalia Antonio Rosa Neto, presidente do Grupo dos Profissionais do Rádio.
Segundo dados Marplan referentes ao mercado paulista em 2001, o rádio
alcançou, entre as 7:00 e 12:00, cerca de 29% da população,
tendo como horário de pico o período entre as 9:00 e 11:00,
com 41,5% de cobertura. Por:
Mônica Charoux |