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MOBILIZAÇÃO
DAS RÁDIOS INCENTIVA O
CRESCIMENTO DO MEIO
Por Alexandre Lemos*
Iniciativas de diversas frentes têm convergido com sucesso,
nos últimos anos, para o aumento da participação
das rádios na divisão do bolo publicitário nacional,
recuperando-se parte de uma fatia que já foi bem maior, inclusive
através de um diálogo mais estreito com o mercado, o que
demonstra que esse meio deve continuar extremamente competitivo neste
novo milênio.
Conseqüentemente, despreza-lo não seria uma atitude inteligente.
Primeiro, porque ao faze-lo o anunciante estaria abrindo mão de
uma das mais antigas e eficientes formas de comunicação.
Segundo, porque suas características únicas vêm sendo
cada vez mais aprimoradas, o que resulta numa proximidade invejável
com a população brasileira.
Dados do XLII Estudos Marplan levantados nos nove maiores mercados nacionais,
a partir de entrevistas com pessoas maiores de 10 anos, no primeiro semestre
do ano passado, dão conta de que 88% da população
ouve rádio, sendo que 34% dos consultados passeiam pelo dial das
Mas durante a semana, entre 6 da manhã e 11 da noite, período
em que as FMs atraem mais do dobro desse público: 73%.
A maioria (75%) dos ouvintes das AMs preserva o hábito de freqüentar
também as
FMs, mas o inverso só é válido para 36% do público
das FMs.
As diferenças não param por ai. Os homens preferem as emissoras
AM(54%), enquanto o target das FMs é mais feminino(53%). Os mais
novos, com idade até 30 anos, são maioria (53%) entre os
ouvintes das programações predominantemente musicais das
FMs. Por sua vez, os maiores de 30 anos compõem a principal fatia
(57%) do público das AMs.
No que tange à classificação socioeconômica,
há coincidência na preponderância da população
das classes B e C, tanto nas FMs (66%) como nas AMs (65%) - o que explica
o fato de as emissoras populares estarem sempre no topo dos rankings de
audiência.
Contudo, talvez não haja ainda outro meio tão disseminado
e heterogêneo como o rádio. O perfil médio do ouvinte
nacional pode ser totalmente diferente do target particular de cada uma
das milhares de emissoras espalhadas por todo o território brasileiro,
já que o meio conta com uma penetração superior a
80% em todas as classes sociais.
Resguardando, sobretudo, pelo fato de quase 90% dos domicílios
brasileiros possuírem pelo menos um aparelho e, é claro,
pela sua inigualável portabilidade, o rádio não enfrenta
problemas de falta de audiência, embora ela seja repartida entre
muitas emissoras - dependendo da praça - e em diversas faixas horárias
do dia, sendo que o pico é alcançado entre 9 e 11 da manhã,
quando o índice total chega, por exemplo, a mais de 30% na Grande
São Paulo e ultrapassa os 50% em Recife, segundo levantamentos
do IBOPE.
Em determinados horários, a audiência das emissoras de rádio
supera a das de TV - a comparação dos índices médios
totais dos meios mostra que isso ocorre em até 16 das 24 horas
do dia.
Uma performance impressionante que acaba não se revertendo em igual
escala no faturamento publicitário das emissoras. Esforços
recentes conseguiram colocar a participação do meio próxima
dos 5% do total do bolo nacional, mas os executivos das empresas que atuam
na área reclamam em uníssono: "Ainda é pouco!".
ELIMINANDO RESISTÊNCIAS
Entre
os problemas que integram a ordem do dia dos principais executivos do
meio, está a necessidade de maior união das empresas no
sentido de abordar o mercado publicitário mais agressivamente,
quebrando resistências históricas que, por mais incrível
que pareça, ainda teimam em deixar o rádio na sombra.
Antonio Augusto Amaral de Carvalho Filho, o Tutinha, vice-presidente da
Rede Jovem Pan, faz sua mea-culpa: "Acho que nós, donos de
rádios, deveríamos ser mais unidos". Há outros
profissionais que também detectam o principal foco de atrito dentro
da própria classe: "A falta de união do meio acaba
gerando uma disparidade entre as tabelas de preços, caracterizando
uma disputa desleal entre as emissoras", acrescenta Evandro Rampazo,
vice-presidente da Guarujá FM, que tem programação
voltada ao público adulto, maior de 25 anos, e espera incrementar
em 15% o seu faturamento neste ano.
A diretora-comercial da 89 FM de São Paulo, Maria Cristina da Hora,
acredita que, embora ainda não estejamos diante do cenário
ideal, diversos obstáculos vêm sendo superados. "Melhoramos
a imagem do meio através de várias iniciativas, como a formação
dos Grupos de Profissionais do Rádio (GPR). Além disso,
as empresas estão se profissionalizando ainda mais, enquanto os
anunciantes passaram a ser mais receptivos", exorta a executiva.
O diretor de mercado da Rede Itatiaia, Carlos Rubens Doné, concorda:
"Ainda há uma cultura antiga de que o rádio é
pouco profissional, mas, felizmente, isso tem mudado muito nos últimos
cinco anos".
Na mesma linha de raciocínio, segue Fábio Corrêa de
Faria, diretor-comercial da Mix FM, emissora dirigida ao público
jovem das classes A, B e C da Grande São Paulo, que pretende incrementar
seu faturamento em 30% em 2001, mantendo a rentabilidade na faixa entre
37% a 42%. "Temos recebido respostas muito positivas do mercado nos
últimos dois anos, principalmente por estarmos adotando uma política
interna mais técnica", sustenta Corrêa.
Como a luta por espaços no mercado está sendo encarada como
guerra diária, uma das alternativas que as rádios vêm
implementando com sucesso é o trabalho paralelo ao da agência,
através de visitas diretas aos anunciantes, tentando persuadi-los
quanto à importância do meio. Já que entre sete da
manhã e sete da noite o número de ouvintes por minuto do
rádio supera o da televisão, a intenção é
mostrar que pode ser mais perspicaz - e barato - apostar nas ondas sonoras.
"Assim que a Agência Nacional anuncia que são 19 horas
em Brasília, as pessoas desligam o rádio e começa
o horário televisivo. Entretanto, ao longo do dia seria mais lógico
as empresas estarem anunciando no rádio. Supor que esse meio é
apenas uma mídia complementar é miopia", defende Mário
Reis, superintendente do Sistema O Dia, que congrega duas FMs cariocas:
MPB e O Dia.
A diretora-comercial das rádios Tupi AM e Nativa FM (ambas também
do Rio de Janeiro e integrantes do grupo Associados), Tereza Fabian, assegura
que os anunciantes que têm dado mais atenção ao rádio
acabam se tornando adeptos fiéis. "É uma mídia
mais barata, se comparada à TV, e, sabendo programar-se de acordo
com a adequação do anunciante ao público da emissora,
o retorno é imediato", assegura ela. "Há vantagens
maiores quando são selecionadas rádios que possuem a maior
audiência no target do cliente", completa José Ângelo
Taufer Pizzutti, diretor- comercial da Rede Pampa, que congrega nove emissoras
no Rio Grande do Sul e objetiva incrementar em 15% o seu faturamento em
2001.
FRENTES DE BATALHA
Para
o diretor regional do Sistema Globo de Rádio em São Paulo,
Antonio Carlos Guerino, a frente de ataque coletivo dos profissionais
do meio deve estar voltada para dois alvos: o combate ao desconhecimento
do mercado sobre o meio e a neutralização dos efeitos negativos
da natural pulverização do rádio.
"Historicamente, o segmento não criou mecanismos que façam
fluir informações sistemáticas para anunciantes e
agências. E, para os que procuram abrangência nacional, a
programação do rádio é mais complexa, por
exemplo, no tocante ao controle sobre as veiculações",
pondera.
Dilermando Faria Martins, gerente comercial da Rádio Record AM
de São Paulo, que faturou US$ 2 milhões no ano passado com
sua programação voltada às mulheres de mais de 40
anos das classes B, C e D, inclui outros dois tópicos: é
preciso enfrentar a concorrência de outros meios - principalmente
da TV paga e da mídia exterior - e a proliferação
das rádios ilegais.
Em muitos casos, as críticas são direcionadas a agências
e anunciantes. "É difícil faze-los entender os valores
do rádio, que atinge rapidamente altos índices de cobertura,
tem muita credibilidade e agilidade, além de pesquisas comprovarem
que é o meio mais consumido antes da compra. Um bom áudio
marca mais que uma boa imagem", sustenta Acácio Costa, diretor-geral
da Rede Bandeirantes FM.
Tutinha questiona especificamente a postura das agências. "Elas
não dão a devida importância para o meio e estão
habituadas a comprar a mídia da mesma forma que compram um espaço
na TV, apesar de o rádio ser muito mais versátil, pois pode
oferecer inúmeros formatos diferenciados, transformando-se, ao
mesmo tempo, em veículo, agência de promoção,
empresa de eventos, promotora de shows e, por mais incrível que
pareça, até agência de propaganda, já que,
muitas vezes, os spots são criados internamente", declara.
"Muitas agências não compram pesquisas de rádio
e, portanto, não têm idéia da eficiência do
meio tanto em termos de cobertura quanto da sua grande possibilidade de
segmentação", complementa Rubens Campos, diretor de
mercado e novos negócios do Sistema Globo de Rádio, reconhecendo,
entretanto, que o relacionamento das emissoras com o mercado nunca foi
tão positivo como agora - o que, segundo ele, é comprovado
pelo aumento de 40% na participação do meio no bolo publicitário
nacional de 1997 para cá.
RELUTÂNCIAS LOCALIZADAS
No
caso do relacionamento com as agências, ainda resta saber onde estão
localizadas as resistências. "Sabemos da grande penetração,
cobertura e capacidade do meio em atingir targets específicos a
custos baixos, mas continuamos com dificuldade em convencer os planejadores
de que o rádio não deve ser tratado somente como mídia
de apoio", opina Luiz Guilherme Albuquerque, diretor-superintendente
da Rede Transamérica.
José Diogo de Almeida, diretor-comercial da Nativa FM de São
Paulo, aponta outro obstáculo. "A questão é
constar no mix das campanhas, já que muitas vezes a área
de criação das agências não apresenta uma peça
publicitária com linguagem específica para o rádio",
sustenta.
Para tentar atrair a atenção dos criativos das agências,
o GPR e muitas emissoras têm promovido eventos exclusivamente para
premiar peças publicitárias produzidas para veiculação
em rádio. A RBS, por exemplo, realiza a dez anos o Troféu
RBS Rádio de Criatividade. A exemplo do que já ocorreu em
São Paulo, o GPR de Minas Gerais entrega, no próximo dia
28, o prêmio A Força do Rádio, que contou com 200
peças concorrentes.
Do lado de agências e anunciantes, a percepção sobre
o tratamento dispensado às rádios é, por sua vez,
essencialmente positiva. A edição 2001 do Painel de Marketing
de Veículos (PMV), elaborado pela Singular, mostra uma postura
favorável ao meio por parte dos 151 profissionais de mídia
que exercem funções graduadas em anunciantes (67%) e agências
(33%) de São Paulo (70%) e Rio de Janeiro (30%), ouvidos entre
os dias 20 de novembro e 15 de dezembro do ano passado.
A grande maioria (66%) acredita que os anunciantes estão mais conscientes
sobre a força do rádio e já solicitam a inclusão
do meio em suas campanhas.
Em alguns casos, o prognóstico das relações entre
as rádios e as agências chega a ser extremamente promissor
do ponto de vista das emissoras. "Hoje, 90% do nosso faturamento
vem dos negócios fechados via agência, número que
não é padrão no mercado", informa o jornalista
Marcelo Parada, diretor-geral da Rede Bandeirantes AM, salientando, porém,
que determinados setores de anunciantes ainda não experimentaram
o rádio como deveriam. "O varejo e o mercado imobiliário,
por exemplo, poderiam aproveitar melhor as oportunidades oferecidas pelo
meio", reinvidica.
O diretor da paulista América AM, Eduardo Gasciarino, acredita
que a complexidade operacional das programações nacionais
geradas em cada uma das praças é um obstáculo que
vem sendo superado, ajudando a resolver um dos maiores problemas do meio:
a atração de verbas mais polpudas dos grandes anunciantes,
interessados em veiculações de maior amplitude. "A
criação de redes de emissoras tem sido a alternativa para
atender as necessidades desses anunciantes de uma forma ágil e
abrangente", ressalta.
ABRANGÊNCIA NACIONAL
Embora não seja o único caminho para fortalecer o meio,
a proliferação das redes de rádios nacionais é
considerada uma saída para driblar barreiras que impedem o crescimento
mais veloz.
Entre os benefícios proporcionados, os mais citados pelos executivos
das empresas que atuam na área são a possibilidade do controle
centralizado da veiculação, que, aliado ao fato de se estar
trabalhando com emissoras de marcas fortes, aumenta a credibilidade dos
veículos na relação com anunciantes e agências;
e a praticidade de se estar falando com várias praças sem
ter a necessidade de planejar caso a caso.
"As redes facilitam muito a operação, especialmente
o checking", salienta Carlos Rubens Doné, da Rede Itatiaia,
que comporta 11 emissoras próprias - responsáveis por um
faturamento de R$ 13 milhões em 2000 e por uma expectativa de crescimento
de 15% para este ano -, além de outras 45 afiliadas ao Itasat.
"O esforço operacional de se trabalhar com redes é
reduzido a zero", reforça Marcelo Parada, da Bandeirantes
AM, presente em 52 praças brasileiras e cujas emissoras próprias
faturaram R$ 27 milhões em 2000, com previsão de acréscimo
de 15% para este ano. A Band FM, que conta com 27 afiliadas, arrecadou
mais de R$ 16 milhões e espera um incremento de 20% nos seus negócios
para 2001.
Ao optar pelas redes, o anunciante procura uma maior abrangência,
associada à garantia de manutenção de um padrão
de qualidade. A Jovem Pan Sat, por exemplo, promete uma cobertura de 18
milhões de ouvintes, com perfil dominante de jovens de 16 a 24
anos das classes A e B. Para este ano, o plano é saltar de 38 para
50 afiliadas.
"A principal vantagem das redes é a capacidade de atingir
rapidamente diversos mercados com baixa dispersão em relação
ao target pretendido", opina Rubens Campos, do Sistema Globo de Rádio,
composto por 12 emissoras próprias, que geraram faturamento de
R$ 83 milhões em 2000 e pretendem chegar aos R$ 100 milhões
este ano, além de 15 afiliadas da Rede CBN.
O custo dessa mídia, atualmente avaliado como muito bom, pode ficar
melhor ainda, pois, quando calculados seus CPMs, a veiculação
nacional potencializa essa vantagem e leva otimização das
verbas.
"Um anunciante que patrocinar a Jornada Esportiva da Rede Gaúcha
Sat terá sua mensagem veiculada simultaneamente em 100 emissoras
(60 no Rio Grande do Sul) espalhadas pelo país, tornando o custo
por mil extremamente acessível", exemplifica Antonio Donádio,
gerente de comercialização e marketing do Sistema RBS de
Rádio, que também mantem a Rede Atlântida FM, composta
por 13 emissoras próprias e 6 afiliadas nos estados do Rio Grande
do Sul e Santa Catarina.
NOVOS ADEPTOS
Muitas emissoras de rádio vêem em sua programação
um potencial para exploração nacional e planejam engrossar
o disputado mercado das redes de 2001. Para aumentar seu faturamento publicitário,
a paulista América AM estará transmitindo para todo o país,
através das 51 emissoras da Rede Paulus Sat. O diretor-comercial
Eduardo Gasciarino prevê que a iniciativa irá gerar um incremento
de 15% acima da inflação no seu faturamento deste ano.
Muitas emissoras de rádio vêem em sua programação
um potencial para exploração nacional e planejam engrossar
o disputado mercado das redes de 2001. Para aumentar seu faturamento publicitário,
a paulista América AM estará transmitindo para todo o país,
através das 51 emissoras da Rede Paulus Sat. O diretor-comercial
Eduardo Gasciarino prevê que a iniciativa irá gerar um incremento
de 15% acima da inflação no seu faturamento deste ano.
A 89 FM também ultrapassou os limites da capital paulista e já
está chegando ao Rio de Janeiro e Sorocaba. A ampliação
da rede poderá ajudar no objetivo da emissora de faturar 10% mais
neste ano.
Depois do sucesso que a sua programação popular alcançou
no Rio de Janeiro, a Mania FM está inaugurando duas novas emissoras,
em Santos (SP) e Uberlândia (MG), dando início ao seu projeto
de presença nacional.
O negócio das redes de rádios estão indo tão
bem que a Transamérica resolveu gerar três programações
distintas para que as suas 38 franqueadas possam escolher a que melhor
lhes convier, permitindo que se agrade mais facilmente as populações
de cada uma das regiões do país. A programação
"pop" pretende atingir jovens de 15 a 29 anos das classes A,B
e C; a "light" é para maiores de 25 anos das classes
A e B; e a "hits", mais popular, está voltada, principalmente,
para mulheres maiores de 25 anos.
Considerando-se somente as sete emissoras próprias, a Transamérica
faturou cerca de R$ 30 milhões em 2000 e pretende incrementar este
valor em 20% neste ano.
MARCAÇÃO CERRADA
Outra alternativa saudável, fundamentalmente para emissoras que
estão fora do esquema das redes, é o investimento na manutenção
de equipes comerciais fora de sua praça de origem. As rádios
cariocas, por exemplo, têm apostado na presença em São
Paulo para fazer crescer seu faturamento publicitário. O que se
busca em território paulista são anunciantes de âmbito
nacional."A grande mudança que planejamos para este ano é
o fortalecimento da nossa atuação em São Paulo, com
a evolução de um escritório de representação
para a constituição de uma equipe comercial própria
e completa", anuncia Mário Reis, do Sistema O Dia.
Essa postura, adotada por grande parte do mercado, já vem provocando
uma sensível melhora na performance das rádios do Rio de
Janeiro. "Estávamos trabalhando mal junto ao mercado paulista,
onde se encontra a maior parte do bolo publicitário", reconhece
Antonio de Oliveira Feijó, diretor de marketing e comercial da
Mania FM.
Contando com escritórios nas principais cidades brasileiras, o
Sistema RBS de Rádio, que faturou R$ 30 milhões em 2000
e prevê incremento de 15% para este ano, também vem apostando
na proximidade da sua equipe comercial com os anunciantes sediados fora
da Região Sul. "Estamos muito bem preparados para trabalhar
o mercado nacionalmente. Garantimos que sempre haverá um profissional
de atendimento pronto para apresentar os veículos da RBS aos clientes
que tiverem interesse nos mercados do Sul do país, estejam eles
onde estiverem", sentencia Antonio Donádio.
SEM FRONTEIRAS
Entre outras, uma das principais ferramentas das rádios nesse processo
de libertação de suas ondas, que lhes permitem ser captadas
também fora do âmbito regional ao qual pertencem, é
a exploração da sua sinergia com a internet. A web aboliu
de vez qualquer fronteira imposta às emissoras, concedendo-lhes
alcance global.
"A internet transformou uma audiência local em mundial. Com
o lançamento do portal ClicRBS, todos os conteúdos do Sistema
RBS de Rádio estão disponíveis em um banco de áudio
por até sete dias. Portanto, as pessoas podem acessar os programas
que já foram ao ar, na hora que melhor se ajustar à sua
rotina", explica Antonio Donádio.
Maria Cristina da hora, da 89 FM, vê nas possibilidades de aprofundamento
de conteúdos, oferecendo-se novos produtos e serviços para
os ouvintes, os maiores ganhos trazidos pela internet. Ponto de vista
compartilhado por José Diogo de Almeida, da Nativa FM, que ressalta
o fato de a web ter concedido aos profissionais de rádio a oportunidade
de trabalhar também com a imagem.
Rubens Campos, do Sistema Globo de Rádio, que mantém suas
emissoras na web através do portal RadioClick, vai mais longe:
"Para nós, rádio e internet são uma coisa só.
Um não vive sem o outro", brada o executivo, salientando que
nos Estados Unidos, por exemplo, a maior parte dos investimentos em mídia
das empresas ponto com é direcionada para o rádio.
Muitas emissoras estão aproveitando também do incremento
de audiência viabilizado pela transmissão via web para explorar
novas opções de mídia. "A internet torna-se
importante quando procuramos elaborar um projeto de comunicação
com sinergia entre meios, ou seja, em alguns planos comerciais aliamos
a grande audiência do rádio com o potencial da rede",
detalha Fábio Corrêa, da Mix FM.
Além de ampliar os horizontes das rádios, o caminhar lado
a lado com a web permite, ainda, mais um passo no crescente movimento
de expansão das suas marcas para fora do ambiente radiofônico.
"Nós queremos, cada vez mais, trabalhar o cross media com
outros veículos: rádio+revista, rádio+promoção,
rádio+outdoor, rádio+internet. Com isso, todo mundo sairá
beneficiado, do anunciante ao consumidor", garante Tutinha, da Jovem
Pan.
Enquanto essa promissora tendência não se alastra por todo
o mercado, a internet vai intensificando a vocação promocional
das rádios.
"No início do ano, sorteamos um Citroën blindado exclusivamente
para os internautas, com grande retorno, tanto para nosso site como para
a rádio", conta Ronaldo Cavichia, gerente da rede de afiliadas
da Antena 1, cuja audiência qualificada é formada por maiores
de 25 anos das classes A e B. A participação dessa rádio
no mercado publicitário vem sendo significativamente incrementada,
sobretudo devido ao seu peculiar esquema de programação:
56 minutos de música por hora e intervalos comerciais de apenas
um minuto.
Como se pode constatar, o meio rádio, que já era versátil
desde tempos remotos, vem dançando conforme a música, não
só com o intuito de tocar o coração e as mentes dos
brasileiros, em busca de maiores audiências, mas também com
o objetivo de satisfazer as necessidades dos anunciantes, abrindo espaço
para que as agências componham seus acordes sem limites para a repercussão
criativa de suas mensagens.
*
colaborou Marcelo Bortoloti.
|
O RÁDIO NO SEU DEVIDO LUGAR
Entrevista
Antonio Rosa
À
frente do Grupo dos Profissionais do Rádio (GPR) de São
Paulo, pioneiro entre entidades-irmãs no país,
o publicitário Antonio Rosa Neto tem se valido de
sua experiência na área de mídia e do seu bom
relacionamento com todos os segmentos que compõem o mercado
para coordenar o mais importante trabalho de aproximação
das emissoras com agências e anunciantes realizado nos últimos
tempos no Brasil.
A iniciativa tem alcançado tamanha repercussão que
já está sendo implementada em outros estados e vem
sendo reconhecida pelos profissionais de agências e anunciantes.
A edição 2001 do Painel de Marketing de Veículos
(PMV) coloca o GPR entre as entidades mais respeitadas nos mercados
paulista e carioca (veja quadro).
ABOUT - A participação do rádio na divisão
do bolo publicitário tem aumentado como vocês gostariam?
ROSA NETO - Sim. Na verdade desde 1999 é o meio
de comunicação de massa que mais cresce no Brasil.
Naquele ano, cresceu 26%, estimando-se chegar a 20% em 2000. Para
o GPR, esse resultado foi muito gratificante, pois começamos
nossas atividades exatamente no final de 1998.
ABOUT - Os grandes anunciantes têm olhado com maior
atenção para o meio ou o grosso do faturamento das
rádios ainda vem da soma de verbas muito pequenas?
ROSA NETO - Os anunciantes estão muito mais atentos
ao meio em função das mudanças de hábito
da população brasileira, que, agora, permanece muito
mais tempo fora de casa. Esse movimento afeta inclusive a mulher,
que desde 1995 tem ampliado significativamente sua participação
no mercado de trabalho. O tempo gasto no trânsito e a tendência
ao lazer fora de casa têm favorecido muito o rádio
e a mídia exterior.
ABOUT - A proliferação de redes nacionais de
rádio tem ajudado a melhorar a imagem do meio junto ao mercado
publicitário?
ROSA NETO - As redes agregam a facilidade de planejamento
e execução, porém, os profissionais de mídia
têm buscado na programação local um canal direto
com a comunidade. Dessa forma, a rede complementa a ação
local, mas não a substitui.
ABOUT - Alguns dos principais problemas das rádios
poderiam ser sanadas se houvesse uma maior união entre as
empresas e profissionais do meio. O GPR tem conseguido progressos
nessa linha?
ROSA NETO - Efetivamente, a união é
a solução para a maior parte dos problemas que o meio
enfrenta. Nós, do GPR, acreditamos que estamos diante de
um enorme desafio, que é colocar o rádio no seu devido
lugar. Hoje, podemos afirmar com orgulho que o complexo de inferioridade
está superado.
São tantas as atividades que o Grupo está realizando
- nossa pauta inclui mais de 15 ações estratégicas
com o mercado - , que certamente os resultados serão ainda
maiores no futuro. Como disse meu colega Daniel Barbará (presidente
do Grupo de Mídia de São Paulo), é bom o profissional
de mídia tomar conta da carteira, pois a turma do rádio
vem com muita determinação.
ABOUT - Como estão caminhando os projetos de criação
de GPRs em outras praças?
ROSA NETO - Não poderia estar melhor. Além
da adesão do Rio de Janeiro, já temos Minas Gerais
e, possivelmente, o Rio Grande do Sul. Em geral, todos que aderiram
têm obtido ótimos resultados. Agora mesmo, Minas está
finalizando o seu prêmio de criação publicitária
para valorizar as melhores peças veiculadas e estimular ainda
mais a busca pela qualidade. Por sua vez, o GPR do Rio está
nas alturas, pois foi avaliado pela pesquisa PMV, realizada pela
Singular junto aos anunciantes e agências, como a mais representativa
associação entre os meios de comunicação
em 2000.
ABOUT - Quais são os planos do GPR de São Paulo
para 2001?
ROSA NETO - Temos um programa bastante ambicioso,
e não mediremos esforços para atingi-lo. Com certeza,
estaremos nos principais eventos do mercado, aprimoraremos as pesquisas
do meio, treinaremos ainda mais as equipes comerciais e continuaremos
apoiando campanhas comunitárias, como, por exemplo, a "Faça
sua parte", que visa estimular o voluntariado e é veiculada
com exclusividade nas emissoras de rádio.
|
Avaliação
das Associações Representativas dos Meios de
Comunicação
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A
edição 2001 do Painel de Marketing de Veículos
(PMV), elaborado pela Singular, pediu a 151 profissionais
de mídia que exercem funções graduadas
em anunciantes (67%) e agências (33%) de São
Paulo (70%) e Rio de Janeiro (30%), que distrubuíssem
notas de zero a cinco para sete entidades.
|
|
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Média
Geral
|
Anunciantes
|
Agências
|
|
SP
|
RJ
|
SP
|
RJ
|
|
| ANER |
3,5
|
3,4
|
3,4
|
3,7
|
3,5
|
| AJN |
3,4
|
3,2
|
3,7
|
3,2
|
3,6
|
Central
de
Outdoor |
3,4
|
3,5
|
3,3
|
3,3
|
3,2
|
| GPR |
3,3
|
3,3
|
3,1
|
3,1
|
3,9
|
| ABERT |
3,3
|
3,4
|
3,3
|
2,8
|
3,3
|
| ABTA |
3,1
|
3,1
|
2,6
|
3,3
|
3,3
|
| AMI |
2,8
|
2,9
|
2,2
|
3,0
|
2,9
|
|
|
|