Gazeta Mercantil, 26 de julho de 2002.
Por: Paula Maia

GPR QUER FATIA MAIOR DO BOLO

Grupo de profissionais do Rádio quer triplicar captação dos investimentos publicitários

O Grupo Profissionais do Rádio (GPR) de São Paulo resolveu sair às ruas para vender seu peixe. Munida de uma série de pesquisas sobre o veículo e os hábitos de sua audiência, a entidade tem percorrido agências de propaganda para mostrar as vantagens do meio em relação às demais mídias. A meta do grupo é triplicar os investimentos publicitários no setor. Uma meta ousada, mas, segundo seu presidente, Antonio Rosa Neto, não é impossível. A expectativa é de que o rádio responda por 15% dos investimentos publicitários. No ano passado, por exemplo, o meio ficou com apenas 4,8% do bolo total, segundo o projeto Inter-Meios, da Editora Meio & Mensagem. Atrás, portanto, dos meios TV (57,2%, jornal (21,3%) e revista (10,5%).

Dez agências já foram visitadas entre elas Fischer América, W/Brasil e Salles D’Arcy. Nas próximas duas semanas, será a vez do grupo apresentar o “Rádio Negócios” – como foi batizado o projeto – na DPZ, McCann-Erickson, Lew,Lara e Taterka Comunicações.

A Fischer América não só aprovou a iniciativa como abraçou a idéia. Desenvolveu para o GPR, voluntariamente, uma campanha publicitária de valorização do meio rádio. “O rádio tem sido deixado de lado, mesmo sendo um dos mais importantes meios de comunicação. É preciso resgatá-lo. E no que pudermos ajudar o faremos”, diz o diretor de mídia da agência, Cláudio Venâncio.

Para ele, a principal dificuldade não está apenas em convencer os anunciantes. Há barreiras também dentro das próprias agências de propaganda. “A nova geração das agências é totalmente televisa. Essas pessoas têm uma cultura toda voltada para a TV, bastante diferente da geração anterior, que nasceu com o rádio”. Para ele é preciso incentivar tanto os profissionais que fazem o planejamento de mídia como os responsáveis pela criação.

Rosa Neto aponta os empresários do setor como principais responsáveis pelo mau desempenho do veículo. Para ele, o setor esteve desunido por muito tempo por pensar apenas na concorrência. Venâncio concorda com o presidente do GPR. “Os empresários deviam primeiro fazer o bolo crescer para então reparti-lo”.

Dentre as vantagens apresentadas aos publicitários durante as visitas estão a relação custo/beneficio do rádio – o Custo Por Mil (COM) do meio é de R$ 1,50, ante a média de R$ 100 do jornal ou revista –, e sua mobilidade, uma vez que tal mídia pode estar presente em casa, nos automóveis, no trabalho e ou no lazer.

Uma das pesquisas que ofereceu subsídios para o “Rádio Negócios” foi feita pelo Ipsos-Marplan e refere-se aos hábitos de consumo da população.

Vantagem Pesquisada

O estudo mostra que pessoas com idade igual ou superior a 18 anos e com maior poder aquisitivo ouvem mais rádios do que assistem TV. A pesquisa, feita no ano passado com um universo de 28,5 milhões de pessoas mostra que 28% daqueles que ouvem rádio possuem cartão de crédito, enquanto que na TV são 27%. Dos ouvintes pesquisados, 17% costumam ir a concertos e shows com freqüência , enquanto que 14% dos telespectadores o fazem.

“Pesquisas feitas nos Estados Unidos mostram que quanto mais você aproxima a propaganda do momento do consumo, mais bem sucedida ela é”, argumenta Rosa Neta. “Se pensarmos que hoje em dia as pessoas usam o carro para quase tudo e que esses veículos têm rádio, essa é a melhor estratégia”.

O GPR de São Paulo conta com profissionais das áreas de marketing e comercial de dez emissoras paulistas, entre elas Globo, CBN e Eldorado.


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